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22 de Agosto de 2012

Hoje é comemorado o Dia do Folclore

Alagoas possui 29 variedades desde danças e torés aos folguedos

Criação da data

O Congresso Nacional Brasileiro, oficializou em 1965 que todo dia 22 de agosto seria destinado à comemoração do folclore brasileiro. Foi criado assim o Dia do Folclore Nacional. Foi uma forma de valorizar as histórias e personagens do folclore brasileiro. Desta forma, a cultura popular ganhou mais importância no mundo cultural brasileiro e mais uma forma de ser preservada. O dia 22 de agosto é importante também, pois possibilita a passagem da cultura folclórica nacional de geração para geração.

Comemoração

O Dia 22 de agosto é marcado por várias comemorações em todo território nacional. Nas escolas e centrou culturais são realizadas atividades diversas cujo objetivo principal é passar a diante a riqueza cultural de nosso folclore. Os jovens fazem pesquisas, trabalhos e apresentações, destacando os contos folclóricos e seus principais personagens. É o momento de contarmos e ouvirmos as histórias do Saci-Pererê, Mula-sem-cabeça, Curupira, Boto, Boitatá, etc.

Nesta data, também são valorizadas e praticadas as danças, brincadeiras e festas folclóricas.

.: Folclore em Alagoas

O folclore alagoano tem suas raízes com origem nos três elementos colonizadores do povo brasileiro,ou seja,o negro,o branco e o índio.

As manifestações folclóricas acontecem durante todo ano,de acordo com o período festivo. Segundo estudiosos, o Estado possui 29 variedades desde danças e torés aos folguedos vinculados a festejos natalinos,festas religiosas e carnavalescas. Beleza e originalidade é o que não falta no folclore alagoano,conhecido nacionalmente pela desenvoltura e traje dos grupos,que difundem a cultura do Estado em todo país e em outros continentes.

Os folcloristas pioneiros são os responsáveis pela decantada riqueza das manifestações folclóricas de Alagoas,com destaque para Théo Brandão,homenageado pelos alagoanos com um museu que recebe seu nome.Entre os folguedos mais conhecidos destacam-se os de período Natalino:Pastoril,Guerreiro,Taieira,Baianas,Reisados,Marujadas,Presepil, Cavalhadas e outros,e as danças de São Gonçalo,Coco Alagoano e Rodas de Adultos.

Origem do Folclore Alagoano

*Folclore do negro alagoano

O folclore de origem puramente africana é muito escasso em Alagoas, principalmente no que diz respeito ao canto, ao conto e as lendas. Há no entanto, nas danças e nos cantos algumas reminiscências africanas.

Não falando no reisado, no bumba-meu-boi, nas festas de rei de longo, festas e folganças muito comuns entre todos os negros e mestiços do Brasil e que são por demais conhecidos e descritos por quase todos os folcloristas nacionais, vamos apenas considerar aqui o maracatu, o guariba, o buá e as festas do quilombo, as quais julgamos pouco conhecidas.

Nos contos e nas lendas, quase tudo é de origem mestiça. No entanto, como para os contos e danças, se encontram alguns traços africanos. A lenda de João-egalafuz, prendendo-se talvez a luminosidade da água do mar, lenda que o Dr. Pereira da Costa descreve, em seu folclore pernambucano, é aqui em Alagoas, alterada na história de João Glafaice o qual seria um negro que nas trevas da noite agarrava os meninos que andavam fora de casa.

Este conto era recitado às crianças para elas adormecerem cedo. Confundem com o do negro do surrão, muito bem descritos por Nina Rodriguês e Gilberto Freire.

No domínio do mal assombrado e das supertições, há assunto para vários volumes.

Como a seguinte lenda nos parece ter um cunho genuinamente alagoano, vamos contá-la um pouco desenvolvida.

*Lenda do açúcar e da cachaça

Nosso Senhor Jesus Cristo, morrendo de fome e de sede, debaixo de um solão tremendo, corria uma vez por uma estrada deserta fugindo dos judeus. Já estava caindo de cansaço, quando avistou um canavial, no fim da várzea. Então, escondeu-se entre suas folhas, refrescou do calor, descansou. Chupou uns fumos e matou a fome

Ao retirar-se estendeu as mãos sobre as canas, abençoou elas e prometeu que delas o homem haveria de tirar uma comida tão boa quanto o manjar dos deuses.

No outro dia, na mesma hora, o diabo tendo saído das fornalhas do inferno, com chifres e rabos queimados, galopando pela estrada foi esbarrar no mesmo canavial. Então vendo o verde da água das canas estendeu para refrescar e espojar-se nas folhas. Mas as canas atiraram-lhe pêlos, de modo que ele começou a se coçar como um cão leproso.

Furioso, cortou um gomo e começou a chupar, mas o caldo estava mais azedo do que o vinagre, e caindo-lhe no goto queimou-lhe as goelas.

Então o diabo danou-se e prometeu que a cana o homem havia de tirar uma bebida tão ardente como as caldeiras do inferno.

Aí está porque a cana dá o açúcar e a cachaça, por causa da benção do nosso Senhor e da maldição do diabo.

Danças Folclóricas

Conceitua-se dança folclóricas como a manifestação que possui coreografia e músicas próprias, sem texto dramático e sendo executado individualmente ou em grupo.

Na dança folclórica não existe a necessidade de trajes característicos e próprios.

Américo Pellagrini diz que a forma de expressão tradicional-popular que se baseia em movimentos rítmicos do corpo ou parte dele (especialmente dos pés), em geral acompanhados por música e canto, e aprendida de modo informal. Sua vivência costuma dar-se como simples divertimento em horas de lazer, mas também serve para manifestar sentimentos religiosos.

- Coco Alagoano

O Coco alagoano é uma dança cantada, sendo acompanhada pela batida dos pés ou tropel. Também é de pagode ou samba. Surge na época junina ou em outras ocasiões que se quer festejar acontecimentos importantes nas comunidades rurais. Por ocasião da tapagem de casa, o Coco aparece em todo o seu esplendor.

Tem origem africana, filiada ao batuque angola-conguense. Talvez tenha surgido na zona fronteiriça de Alagoas e Pernambuco no cordão de serras ocupadas no século XVII pelo celebre Quilombo dos Palmares. Dessa região espalhou-se por todo o Nordeste, onde recebeu nomes e formas coreográficas diferentes como: Coco Praieiro, na Paraíba; Bambelô ou Coco de Zambe, no Rio Grande de Norte; Tara ou Coco de roda, em Pernambuco; Samba de Aboio e Samba de Coco, em Sergipe; além de outros.

Personagens- Mestres ou cantador que entoa as cantigas, cujo refrão é respondido pelos dançarinos.

Vestimenta- Os participantes usam roupas comuns do dia-a-dia.

Localização- Vários municípios de Alagoas destacando-se Pão de Açúcar, Chão Preta, Palmeira dos índios, Coruripe.

- Roda de Adultos

As Rodas de Adultos de Alagoas correspondem as Cirandas de outros estados brasileiros. Surgem intercalados as danças de Coco ou Pagode e servem para animar ou descansar os dançadores de Coco. No século XIX assinalou-se em Alagoas várias danças de rodas de adultos, entre as quais: Ciranda, Margarida, Caranguejo,...

As Rodas de Adultos em Alagoas são originarias de danças rurais portuguesas e européias.

Personagens- Mestres ou tirados de cantigas e tocadores.

Vestimenta- Roupa comum

Localização- Nos mesmos locais onde são dançados os cocos

- Dança de São Gonçalo

Dança ritual religiosa destinada especialmente a pagar promessas. São Gonçalo foi um padre português que, tentando acabar com a devassidão e os maus costumes de sua gente, encontrou um meio eficaz de catequizar os pecadores: aprendeu a tocar viola e começou a dançar e tocar entre as prostitutas. Depois que elas estavam exaustas de danças, ele pregava os princípios da doutrina cristã e elas recebiam de bom grado os ensinamentos. Para se mortificar, o padre colocava pregos nos sapatos para ferir os pés, fazendo deste modo, auto-suplício.

De origem ou aculturação portuguesa, foi inicialmente apresentada no interior dos templos religiosos católicos. Depois foi proibida pelas autoridades por seu caráter mundano. Proibida permaneceu nas zonas rurais onde ainda é praticada e aceita.

Personagens- O Mestre, também tocador de viola, o Contra-Mestre e tocador de meia-cuia, dois Guias (os segundos elementos de cada cordão) e os participadores dançarinos.

Vestimenta- Roupas comuns do dia-a-dia ou roupas para dias de festas.

Localização- Água Branca, Serra do Oricuri.

Folguedos

Todo fato folclórico dramático, coletivo e com estruturação. Dramático no sentido de ser representação teatral e apresentar elementos espetaculares formados por cortejos, sua organização, danças e categorias. Coletivo por ter aceitação coletiva e espontânea de uma comunidade.E com estruturação, porque possui reunião de participantes, ensaios periódicos e uma certa estratificação.

Seu cenário são ruas e praças, especialmente nos dias de festas locais ou nas festas tradicionais.

Para Abguar Bastos, folguedo popular “é o fato folclórico dialogal, de participação coletiva que desenvolve enredo ou auto, com indumentária própria e trama simbólica”.

Américo Pellegrini, o vê desta maneira:forma folclórica com estrutura, personagem e, as vezes enredo(que o povo chama de embaixada) incluindo comumente danças ou coreografias reduzidas.desse modo o folguedo popular é uma forma mais ampla e complexa que a dança e chega mesmo a incluir a dança.

- Guerreiro

O guerreiro é um grupo multicolorido de dançadores e cantores, semelhante ao reisado, mas com ma9ior número de figurantes e episódios de maior riqueza nos trajes, enfeites, e maior beleza nas músicas.

O auto dos guerreiros é um folguedo surgido em Alagoas cerca de1927(ou 1929). É o resultado da fusão de reisados alagoanos, do antigo e desaparecido auto do caboclinhos, da chegança e dos pastoris.

Os personagens são:rei, rainha, contra-mestre, dois embaixadores, general, lira, índio, periseus, vassalos, dois Mateus. Dois palhaços(as vezes uma catirina) a sereia, estrela de ouro, estrela brilhante, estrela republicana, a banda da lua e as “figuras”.

Os trajes são multicoloridos, imitação dos antigos trajes nobres, adaptados ao gosto e as possibilidades econômicas.Usam fitas espelhos, contas de aljôfar, enfeites de arvorede de natal nos chapéus (que aparecem em forma de igreja, palácios, catedrais) diademas, coroas, guarda-peitos, calções e mantos.

Geralmente o guerreiro é apresentado em Arapiraca(Craibas), Atalaia, Boca da Mata, Branquinha, Cajueiro, Campo Alegre, Capela, Chã Preta, Delmiro Gouveia, Igreja Nova, Junqueiro, Maceió, Maribondo, Murici, Penedo, Piaçabuçu, Quebrangulo, Rio Largo, São José da Laje e São Luiz do Quintude.

- Pastoril

O pastoril é o mais conhecido e difundido folguedo popular de Alagoas.É uma fragmentação do Presépio, sem os textos declamados e sem os diálogos. É constituído apenas por jornadas soltas, canções e danças religiosas ou profanas, de épocas e estilos variados.

Como o Presépio se origina de autos portugueses antigos, guardando as estruturas dos Noéis de Provença(França).

Os personagens são:mestra, contra-mestra, pastor, Diana e as Pastorinhas.

As pastoras se dividem em dois cordões, trajando-se de azul e encarnado. Usam saias, blusas, aventais, faixas, levando na cabeça chapéus de bolinha ou filó ou ainda toucados ou diademas, acompanhando-se de pandeiros especiais feitos de lata, com cabo e sem tempo, ornados de fitas com a cor dos cordões.

Esse folguedo se apresenta em quase todos os municípios de Alagoas, encenado em casas de família, teatrinhos, auditórios de colégios , armados nas festas de rua, acompanhado de orquestra variada desde os violões e sanfonas até os conjuntos de sopro e percussão, compõe-se o Pastoril, de um grupo de 12 a mais meninotas; dividido em dois cordões: o azul e o encarnado, cores que ostentam nas vestes(faixas, aventais, saias, blusas), que levam a cabeça chapéus de palhinhas , e que tocam pandeiros especiais de lata com cabo e sem tampo.

Essas características do Reisado juntamente com as características dos Cocos se misturam a danças e canções de nítida influência religiosa negra e assim formam o samba de Matuto ou Baiana.

- Reisado

É um folguedo popular profano religioso, músicos, cantores e dançarinos, que vão de porta em porta, no período de 24 de dezembro a 6 de janeiro, anunciar a chegada do Messias, homenagear os três reis magos e fazer louvações aos donos das casas onde dançam. Sua principal característica é a farsa do boi, que constitui um dos entremeios, onde ele dança, brinca, é morto e ressuscitado. Portanto no sentido escrito, são reisado em Alagoas, além do próprio Reisado, o Bumba- Meu-Boi e o Guerreiro.

A origem é portuguesa. Em Portugal na Idade Média, era costume os grupos de janereiros e reseiros saírem pelas ruas pedindo que lhes abrissem as portas e recebessem a nova do Nascimento de Cristo. Os donos das casas recebiam os grupos e a eles ofereciam alimentos e dinheiro.

Os personagens são:Rei, Rainha, Mestre, ou Secretário de Sala, Contra-Mestre, Mateus e palhaços. Em outros grupos são: rei, rainha, mestre, contra-mestre, dois embaixadores, contra-guia, contra-passo, Moçambiques, Bandeirinhas, Palhaços e Mateus.

Podemos assisti-los em: Palmeira dos Índios, Viçosa, Major Isidoro, Maravilha, Mar vermelho, Monteirópoles, Olho D’água do Casado, Pão de Açúcar e Piaçabuçu.

O reisado é um dos autos populares próprios da época natalina que se filia ao vasto ciclo de folguedos derivados das “Janeiras” e “Reis” portugueses como os reis de São Paulo, estado do Rio, Guanabara, Bumba- Meu- Boi do nordeste, Reis de boi do Espiríto Santo, Boi de mamão do Paraná e santa Catarina, Boizinho do Rio Grande do Sul e Boi- Bumbá da Amazônia.

Em Alagoas o auto sincretizou com outro folguedo, o auto dos Congos, talvez também um reisado, e por isso passou a apresentar maior riqueza em sua indumentária, em sua música e coreografia, tornando-se assim diferente , em certos aspectos, das versões de outros estados e regiões do país.

- Bumba-meu-boi

É um auto pastoral de temática pastoril que tem na figura do boi o personagem principal. Aparece em todo o Brasil com os nomes de Bumba-Meu-Boi,Boi-Bumbá, Boi-Surubi, Boi-Calemba, Boi-de-Mamão, etc

Em Alagoas a apresentação do Bumba é semelhante a um teatro de revista.Consta de desfile de bichos e personagens fantásticos ao som de cantigas entoadas por cantores do conjunto musical que faz lembrar das ligações do Bumba com as revivências e sinais bastante visíveis da Comédia Del’ Arte medieval.Como os reisados tem origens nos grupos de janereiros, reseiros e portugueses.

Os personagens são:Mateu e Catirina que apresentam os bichos, Capitão-do Cavalo-Marinho que é uma espécie de Mestre-Sala e mais os entremeios:Foiaral, Morto-e vivo, Empeleiteiro, Jaraguá, Escova-bota, Sinhá Filipa, Caboclo do arco, Lília, Margarida, matuto da Goma, Pagaio, Empatassamba, Barbeiro, Casamento, Vida Gosada, Lobisomem e o último entre meio a aparecer-o Boi- que dá o nome ao auto.

O Mateu é vestido com roupas comuns é com “cara melada” de preto, a Catirina traja vestido preto e comprido, com o rosto sujo de preto, usa voltas e brincos. O Capitão-do Cavalo-Marinho veste camisa vermelha de mangas compridas, barrete vermelho e branco e vêm “montado”no cavalo de armação que tem o couro nas cores branca e vermelha.

Os outros entremeios possuem um tipo de vestimenta adequado com os personagens que representam.

Podemos assistir em Maragogi(povoado Antunes).

Versões do auto ou referências ao mesmo se têm encontrado em épocas diversas: no fim do século passado por Melo Morais Filho, em Taperaguá, povoado do município de Marechal Deodoro (antiga cidade das Alagoas); e no século atual, por Alfredo Brandão, Jorge de Lima, Artur Ramos e Abelardo Duarte.

Diferenciações

O essencial para diferenciar a categoria dança da categoria folguedos é o sentido de representação, ausente nas danças e presente nos folguedos. No folguedo o indivíduo assume provisoriamente um ou vários papéis na apresentação, o que não acontece na dança em que continua a ser ele mesmo.

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Fabiano
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