Vilela: “Brasil perde um grande homem”

29 / 03 / 11

Para o ex-governador Ronaldo Lessa, Alencar foi fundamental na trajetória política do ex-presidente Lula

Assim que tomou conhecimento da morte do ex-vice-presidente José Alencar (PRB), o governador Teotônio Vilela Filho (PSDB) postou no twitter: “Lamento o falecimento do ex-vice-presidente José Alencar. O Brasil perde um grande homem público, um cidadão de história exemplar. Tive a honra de tê-lo como meu colega de senado e testemunhei seu grande amor pelo Brasil”.

Em outra incursão, na rede social, o chefe do executivo alagoano destacou que “como vice-presidente do governo Lula, José Alencar foi um dos defensores do nosso Canal do Sertão. Um homem notável, cordial e carismático”.

Em nota distribuida à imprensa, Vilela destacou o apoio que Alencar deu para a retomada das obras do Canal do Sertão, que estavam paralisadas por falta de verbas. Foi o governo Lula, com o apoio de Alencar, que a obra foi retomada e colocada dentro do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC)

“Como vice-presidente do Brasil e indicado pelo presidente Lula para ser interlocutor junto aos governadores do Nordeste, na questão da transposição das águas do Rio São Francisco, José Alencar tornou-se um entusiasta e um defensor do Canal do Sertão de Alagoas. “Foi um apoio importante para colocarmos o nosso projeto no PAC”, afirmou Vilela.

“José Alencar foi um guerreiro, um homem notável, um empresário com responsabilidade social, um cidadão carismático e eu lamento a sua perda, também, como um amigo querido”, salientou o governador. “Foi um político honrado e um ministro competente”, reforçou. “Ficará para sempre na história do Brasil e na memória dos brasileiros”, disse Teotonio Vilela.

Sessão suspensa

Na Assembleia Legislativa de Alagoas, o vice-presidente da Casa, deputado Antônio Albuquerque (PTdoB), propôs a suspensão da sessão, em respeito ao falecimento de José Alencar. A proposta foi aprovada por unanimidade e os trabalhos suspensos, por voltas das 16 horas.

A popularidade de José Alencar pode ser medida nas ruas de Maceió. Logo após o anúncio de sua morte, nos noticiários da tevê, as pessoas que passavam pelas ruas do calçadão da cidade começaram a lamentar a perda do político mineiro. O empresário Francisco Maia Costa, dono do “Caldinho Sertanejo”, afirmou ter sido o ex-vice-presidente o único político que ele sentiu profundamente a sua morte. “Ele era, sobretudo, honesto, corrente e decente”.

Já o servidor público federal aposentado, Edson França, 73 anos, disse ter, certa feita, apertado na mão do pranteado José Alencar. “Eu apertei a mão dele quando da inauguração do Memorial à República, quando ele veio a Maceió, representando o presidente Lula. Nunca esquecerei aquele momento. Hoje só me resta rezar por sua alma, pelo seu descanso eterno”.

Na opinião do funcionário público Roberto Rosas, 47 anos, “é uma grande perda. Não foi como outros políticos que quando morrem todo mundo diz que foi um grande homem. Convém lembrar que ele foi sempre contra os juros altos e lula nunca atendeu seus reclames”.

A morte do ex-vice-presidente deixou consternados muitos alagoanos, de todas as classes sociais. Para os sindicalistas, ele era um político diferente, que combatia a política dos juros altos e cobrava uma reforma tributária que não fosse tão escorchante. Para os comerciantes, ele era um excelente empresário, um visionário que investiu em fábricas falidas e conseguiu soerguê-las no Sul do País.

Para os políticos, José Alencar foi sempre um exemplo de probidade e honradez, tanto é que sempre quiseram tê-lo por perto, embora muitos não concordassem com tudo que ele defendia e pregava. Para as mulheres, ele sempre foi um homem gentil, um pai de família exemplar, um guerreiro, que lutou contra uma doença terrível, mas sem perder o bom humor.

Companheiro do ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva (PT), Alencar fez de tudo para evitar que sua doença atrapalhalhasse os planos do amigo e a campanha da companheira Dilma Roussef; postergou o máximo que pode o seu falecimento e só se deixou vencer quando já não ocupava mais nenhum cargo público. Resistiu bravamente todas as fases da doença, sem se deixar intimidar pela dor e o desconforto dos tumores. Só perdeu para o câncer e no seu 19º “round”, quando todas as suas forças já estavam minada.

Ao logo dos seus 79 anos, sempre esbanjou vitalidade. José Alencar pegou no pesado, vendeu na vida com muito trabalho. Para os mais próximos, ele era uma pessoa obstinada pelo sucesso. Tudo que ele pegava para fazer, fazia de tudo para que desse certo. Era um empresário bem sucedido, um homem de bem, um político honesto, um empreendedor. Por isso tudo que o ex-presidente será sempre lembrado como um autêntico estadista.

“Ele combateu as altas de juros, defendeu o empresariado nacional e não se deixou levar pela vaidade do cargo, sempre foi muito cordial”, afirmou o deputado federal Givaldo Carimbão (PSB/AL).

“José Alencar foi um político que honrou a classe política, um companheiro de todas as horas de Lula. Por isso tudo, será sempre uma espécie de unanimidade nacional”, afirmou Carimbão, que visitou várias vezes o gabinete Alencar, no Senado, em busca de apoio para projetos de interesse de Alagoas.

“Ele era mais que um vice, era uma espécie de guru do presidente Lula. Em Brasília, todas as vezes que o procurei, ele sempre foi muito atencioso, era uma das principais lideranças políticas do país, por seu caráter reto e sua inatacável postura nas vezes em que assumiu o poder”, observou Carimbão.

Cícero Almeida decreta luto de três dias

O prefeito de Maceió, Cícero Almeida (PP), decretou luto oficial de três dias na capital alagoana, pela morte do ex-vice-presidente da República, José Alencar, ocorrida na tarde desta terça-feira (29), em São Paulo. Destacando as qualidades de ser humano e de administrador público e privado, e a coragem com que José de Alencar travou sua luta contra o câncer nos últimos anos, o prefeito disse que o luto oficial representa o sentimento de todo maceioense.

“Estive com ele em três audiências, e em todas elas fui muito bem recebido, com um carinho que me impressionou, e que se tornou recíproco. Esse mesmo carinho que ele ofereceu e conquistou de toda a nação brasileira. Estamos realmente com um sentimento de luto, por tudo o que ele representou para o Brasil, não apenas no seu papel institucional de vice-presidente da República, e no seu desempenho empresarial, mas pela maneira com que ele encarou cada batalha travada contra a doença, sempre cheio de coragem e de bom humor. Tornou-se uma referência para todos nós”, disse Cícero Almeida.

José Alencar foi vice-presidente nos dois mandatos em que Luiz Inácio Lula da Silva foi presidente. Em sua luta contra o câncer, iniciada na década de 90, ele foi submetido a 17 cirurgias, a primeira delas em 1997. Durante o período em que esteve no governo, Alencar substituiu Lula em várias ocasiões, acumulando um tempo considerável no exercício da Presidência, em algumas delas, saiu do hospital diretamente para o exercício de suas atividades públicas.

Ex-governador

O ex-governador Ronaldo Lessa, presidente do PDT em Alagoas, disse que a morte de Alencasr deixou uma grande lacuna na classe política. “De porto de vista pessoal, ele foi um gigante contra essa doença terrivel que é o câncer. A sua vontade de viver era contagiante. Do ponto de vista político, ele foi um político exemplar, extremamente honesto e solidário, nunca se deixou levar pela vaidade. Por isso, será sempre lembrado como um homem probo, um exemplo de dignidade”, afirmou Lessa.

Para o ex-governador, Alencar foi fundamental na trajetória política do ex-presidente Lula. “Foi ele quem deu a configuração que faltava à chapa do presidente Lula para a Presidência da República. Foi a credibilidade dele como empresário honesto e bem sucedido que o presidente precisava para conquistar a confiança do empresariado nacional”, observou Lessa, acrescentando que Alencar será sempre lembrado como “um homem de bem”.

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