Aldo admite que pegou pesado contra Marina Silva

14 / 05 / 11

“Sei que peguei pesado e vou ligar para ela, para desfazer esse mal entendido”, afirmou o alagoano Aldo Rebelo.

O deputado federal Aldo Rebelo (PCdoB/SP) concedeu entrevista à imprensa na sexta-feira pela manhã (13) em Maceió e voltou a defender a aprovação do texto que relatou sobre o Código Florestal Brasileiro, que deve ser apreciado na próxima terça-feira (17), pelo plenário da Câmara.

Aldo também aproveitou a oportunidade para esclarecer a denúncia que fez contra o marido da ex-ministra Marina Silva, de que o mesmo teria envolvimento com o contrabando de madeiras. “Sei que peguei pesado e vou ligar para ela, para desfazer esse mal entendido”, afirmou Rebelo.

Ele esclareceu que no momento da votação do Código Florestal, no plenário da Câmara, na última quinta-feira, ficou irritado quando soube por meio de sua assessoria que a ex-senadora Marina Silva havia usado o twitter para chamar o novo texto do Código Florestal apresentado por Rebelo de “novas pegadinhas”.

“Naquele momento, de cabeça quente, sendo taxado de traidor pelos ecologistas, eu lancei mão dessa denúncia contra o marido da Marina, mas confesso que só tomei conhecimento dessa denúncia pela imprensa. Por isso, vou ligar para Marina para me explicar, afinal nunca tive problemas com ela, pelo contrário sempre nos demos muito bem”, afirmou Rebelo, em entrevista a TV Gazeta, no programa Bom Dia Alagoas.

Aldo disse ainda que seu texto levou em consideração não só a questão ambiental, mas a questão social. “Não adianta proteger a margem de um rio e expulsar daquele ambiente um pequeno agricultor que sempre viveu ali, não sabe fazer outra coisa senão viver da cultura de subsistência e não tem para onde ir. Isso, pra mim, é antiecológico”, afirmou o deputado, que defende a ideia do desenvolvimento sustentável.

Expoalagoas

Alagoano de Viçosa, Aldo disse que veio a Maceió, no dia seguinte à sessão que terminou com o adiamento da votação do Código Florestal Brasileiro, para discutir com agropecuaristas alagoanos as mudanças na legislação que envolve o setor. Na condição de relator do Código, o deputado foi o principal palestrante do 7º Congresso Brasileiro da Raça Santa Inês, dentro da Exporalagoas Genética 2011, que está sendo realizada até este domingo (15), no Parque da Pecuária, em Maceió.

Para o deputado, o adiamento da votação do Código foi uma decisão do líder do governo na Câmara. “O meu texto estava proto para ser votado, com apenas um destaque. Como o governo não estava seguro com relação à votação desse destaque, pediu o adiamento da votação”, afirmou Rebelo.

Segundo ele, não há divergência entre o seu texto e o que quer o governo. “Toda a base do governo e parte da oposição apóiam o texto, o único senão é com relação ao destaque quanto à regulamentação do uso das matas ciliares”, explicou Rebelo, acrescentando que até terça-feira essa divergência está resolvida.

Aldo rebateu ainda as críticas dos ecologistas, de que o texto do Novo Código Florestal atenderia aos interesses dos ruralistas. “Procurei fazer um texto que protegesse o meio ambiente, mas desse também condições de sobrevivência aos agricultores, aos produtores rurais, a quem lida com a terra”, afirmou o deputado. “No entanto, tinha consciência de seria difícil conciliar interesses, aparentemente, tão antagônicos”, acrescentou.

“O País não pode ficar dividido entre quem defende o meio ambiente e quem defende produtor rural. É preciso que se chegue ao bom-senso, ao equilíbrio entre a exploração de atividade econômica e a natureza”, defendeu Rabelo.

Por isso, acrescentou o deputado, “levei essa discussão para todos os setores da sociedade, discutindo em audiência pública, com a Contag, com a SBPC e outras entidades representativas todas as questões relacionadas ao assunto, recebendo sugestões e opiniões de produtores rurais, ecologistas e pecuarista para compor o texto do novo Código Florestal”.

30 anos de política

Com 54 anos de idade, Aldo milita na política há mais de 30 anos. É jornalista, filiado ao Sindicato dos Jornalistas de Alagoas, escritor e deputado federal eleito por São Paulo, por cinco mandatos consecutivos, sempre pelo PCdoB.

Desde 1994, Aldo figura entre os parlamentares mais influentes do cenário político nacional, sendo considerado um dos “cabeças” do Congresso, segundo levantamento anual do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (DIAP).

Apesar de ter sido presidente da Câmara dos Deputados, ministro da coordenação política e líder do governo Lula na Câmara, Aldo não deixou que o poder lhe subisse a cabeça. Questionado se teria feito fortuna com a política, Aldo disse que não tem vocação para ser rico. “A riqueza pode gerar muitas coisas boas, mas gera também muita cobrança, muita cobiça e inveja. Gosto de andar sozinho, dirigir o meu próprio carro, sem precisar de seguranças ou motoristas. Se fosse um homem rico, que ostentasse riqueza, não teria essa liberdade, essa tranquilidade”, afirmou.

Líder estudantil

Na juventude, ele foi líder do movimento estudantil e enfrentou a ditadura militar. Apesar da repressão e das perseguições políticas, chegou à presidência da União Nacional dos Estudantes (UNE) e criou a União da Juventude Socialista (UJS) – considerado o “braço jovem” do PCdoB. Seu primeiro mandato parlamentar foi como vereador de São Paulo.

Durante sua entrevista na Rádio Jovem Pan, várias pessoas ligaram para elogiar a postura do deputado Aldo Rebelo. Políticos de partidos de esquerda, de centro e de direita fizeram questão de entrar em contato com a rádio para registrar a admiração e o orgulho que sempre pelo líder do PCdoB. Para o ex-deputado federal Augusto Farias (PSC), Aldo é uma espécie de patrimônio moral do País, “pois sempre esteve a serviço da unidade nacional”.

Em menos de um ano à frente do terceiro cargo mais importante da República, o de presidente da Câmara dos Deputados, Aldo conduziu discussões e decisões que já entraram para a história do parlamento brasileiro. Sob a gestão de Aldo, a Câmara aprovou projetos essenciais ao desenvolvimento do país, como o Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica) e a Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas.

Articulador político

Como ministro da Coordenação Política do presidente Lula, Aldo dedicou-se à formação de um governo de coalizão por acreditar que nenhuma força política seria capaz de governar, sozinha, um país com tantas desigualdades e desequilíbrios como o Brasil.

Aldo foi o responsável pelas relações do governo Lula com os entes federados – municípios e estados – e com o Congresso Nacional, as assembléias estaduais e as câmaras municipais de todo o país. Nesse período, o ministro Aldo conduziu amplas articulações em torno de projetos do governo que se transformaram em marcos institucionais para o país, como as parcerias público-privadas; a lei de biossegurança, da qual Aldo foi o relator; a lei que reestruturou o setor elétrico brasileiro; a lei de falências; a lei dos consórcios públicos.

Uma das áreas da atuação parlamentar de Aldo é a de relações exteriores e defesa nacional. O deputado é membro da Comissão Permanente da Câmara dos Deputados que analisa todas as proposições legislativas dessas áreas, inclusive os acordos e tratados internacionais dos quais o Brasil faz parte.

Brasil-China

Em 2002, Aldo assumiu a presidência da Comissão e colocou em debate a política de defesa do Brasil para o século XXI; uniu civis, militares e acadêmicos em torno do tema e as decisões, idéias e princípios que surgiram a partir desse esforço coletivo tornaram-se referências para o setor. Atualmente, o deputado é presidente do Grupo Parlamentar Brasil-China.

Relator do novo Código Florestal Brasileiro, Aldo percorreu o Brasil para produzir o seu relatório, que aponta os caminhos para o equilíbrio entre a preservação do meio ambiente e o fortalecimento da agricultura brasileira. A proposta foi aprovada na Comissão Especial da Câmara dos Deputados no dia 6 de julho, com 13 votos favoráveis e apenas cinco votos contrários.

Muitos eleitores paulistas têm orgulho de ter um representante na Câmara Federal há mais de 15 anos, um deputado de origem nordestina. Apesar de ter nascido na cidade de Viçosa, Alagoas, Aldo Rebelo sempre teve uma atuação destacada no maior estado do Brasil. Por isso, o povo de São Paulo vota nele há tanto tempo, porque admira a sua atuação parlamentar sempre firme e pensando em um país mais justo e na igualdade social.

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