Operação policial ocupa conjunto Carminha

28 / 07 / 11

Será imposta aos moradores uma espécie de toque de recolher, principalmente para restringir a movimentação dos menores de idade

Cerca de 150 policiais civis, militares e da Força Nacional cercaram na manhã de hoje o Conjunto Carminha, para tentar conter a onda de violência na região do complexo residencial Benedito Bentes, na periferia de Maceió. A informação foi confirmada pela Secretaria de Comunicação do Estado, acrescentando que o objetivo da operação é implantar no conjunto uma unidade de Polícia Comunitária, nos mesmos moldes das Unidades de Polícia Pacificadora implantadas nos morros do Rio de Janeiro.

De acordo com informações oficiais, será imposta aos moradores da região do Carminha uma espécie de toque de recolher, principalmente para restringir a movimentação dos menores de idade. Além disso, a ordem das autoridades de segurança é prender os traficantes responsáveis pela morte de uma moradora do conjunto, que antes de morrer foi torturada e teve a cabeça decepada. O crime ocorreu no último final de semana e deixou os moradores chocados com tamanha violência.

Nesse momento, é grande a movimentação de policiais fortemente armados circulando pelas ruas do conjunto. Dezenas de viaturas circulam pela região, além de helicópteros sobrevoando a área e dando cobertura aos policiais que participam da operação, que deve durar pelo menos até o final da manhã. O governo do Estado promete divulgar uma nota com as informações oficiais acerca da operação, que conta com o apoio da população, mas ainda provoca desconfiança em alguns moradores. Eles temem que a violência recrudesça depois que a polícia for embora.

O Carminha deve ser o segundo conjunto do complexo residencial Benedito Bentes a receber uma unidade de Policia Comunitária. A primeira base desse projeto, que conta com o apoio da Secretaria Nacional de Segurança Pública, foi implantada no Conjunto Selma Bandeira, que também apresentava um histórico de violência preocupante. Com a implantação da base, no ano passado, a violência diminuiu no conjunto e os moradores do Selma Bandeira passaram a confiar mais nos policiais.

Crime bárbaro

Na madrugada do último domingo, um grupo de traficantes de drogas do Conjunto Carminha se dirigiu a residência da dona de casa Maria de Lourdes Farias Melo, de 26 anos, e cometeram um crime bárbaro. Na frente dos filhos e de um parente da vítima, os traficantes arrancaram a mulher de casa e a mataram na rua. O crime ocorreu na frente da residência da vítima. Os traficantes espancaram e mataram a tiros a dona de casa. Não conformados, eles arrastaram o corpo da jovem por alguns metros até a principal avenida do conjunto, onde arrancaram a cabeça e um braço da vítima, com golpes de foice.

Como se não bastasse, os algozes da dona de casa usaram o sangue da jovem escrever a palavra “cabueta” na frente da casa da vítima, num sinal claro de intimidação a quem se atreve a denunciar as barbaridades praticadas pelo tráfico na região. Por fim, eles ainda colocaram a cabeça da jovem espetada em uma estaca de uma cerca num terreno baldio, em um claro recado a comunidade local. Um morador disse que um policial teria revelado aos traficantes que a vítima estava passando informações para a polícia sobre as atividades do grupo.

“Aqui, ou a gente se cala, ou a gente se muda, porque quem tenta denunciar para a polícia o que acontece acaba desse jeito”, desabafou o morador.

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