Francisco Weffort morre no Rio, aos 84 anos

06 / 08 / 21

Cientista político e ex-ministro da Cultura, ele sofreu um infarto, no domingo (1º), no hospital em que estava internado, no Rio

Autor: Por Jornal Nacional

Morreu no último domingo (1º de agosto), no Rio de Janeiro, aos 84 anos, o cientista político, professor e escritor Francisco Weffort. Ele foi um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores e participou ativamente da campanha pela volta das eleições diretas no Brasil na primeira metade da década de 1980.

Deixou o partido nos anos 1990 e assumiu o Ministério da Cultura no governo de Fernando Henrique Cardoso, do PSDB. Implantou a Lei do Audiovisual, que impulsionou o cinema brasileiro ao permitir que empresas deduzissem do imposto de renda o valor integral de financiamentos na área.

Francisco Weffort sofreu um infarto do miocárdio, no domingo (1º), no hospital em que estava internado, aos 84 anos. As informações foram confirmadas pela Casa de Saúde São José, no Rio de Janeiro, na segunda-feira, 2 de agosto.

Cientista político e professor universitário, Weffort foi um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores (PT), no início da década de 80. Depois deixou o partido e se aliou ao PSDB. Ex-ministro da Cultura, ocupou a pasta durante os dois mandatos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), de 1995 e 2002.

Antes de integrar o governo FHC, Weffort foi secretário-geral do PT na década de 1980. O cientista político também participou da mobilização para a realização de eleições diretas para presidente da República, em 1984.

O ex-ministro nasceu em Quatá, em São Paulo, em 17 de maio de 1937, e se formou em ciências sociais na Universidade de São Paulo (USP), onde começou a lecionar em 1961.

Weffort também foi professor visitante da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), já nos anos 2000, e, ao longo de sua carreira, também atuou em universidades no exterior.

Fora do país, seu currículo inclui o Instituto Latino-Americano de Planificação Econômica e Social (Ilpes), no Chile; a Universidade de La Plata, na Argentina, e as universidades americanas de Woodrow Wilson Center e no Helen Kellogg Institute, da Universidade de Notre Dame.

GESTÃO CULTURAL

Segundo o Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea (CPDoc) da Fundação Getúltio Vargas (FGV), durante sua gestão à frente do Ministério da Cultura, Weffort consolidou a legislação específica para a Cultura implementada a partir de 1992, que passou a ser melhor assimilada e utilizada pelos agentes culturais, empresas privadas e estatais, além do próprio governo.

Ainda de acordo com o CPDoc, a captação de recursos via Lei Rouanet e a arrecadação da Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Brasileira atingiram os níveis mais altos em 2001, quando o ministério também recebeu recursos do Banco Interamericano de Desenvolvimento para a recuperação de sítios históricos em 26 cidades brasileiras.

Na entrevista que concedeu ao jornal Valor Econômico em dezembro de 2002, Weffort afirmou que a maioria dos projetos aprovados em sua gestão esteve voltada para cidades pequenas e médias e implicou pequeno aporte financeiro.

Porém, foram os grandes que tiveram maior visibilidade, como a criação da Sala São Paulo, voltada para a música; a restauração da catedral da Sé, em São Paulo; a Mostra do Redescobrimento – Brasil 500 anos; o resgate da sinagoga de Recife e as exposições O Brasil dos viajantes, Rodin e Eckhout.

Foi durante a gestão de Weffort que ocorreu o que se convencionou chamar de retomada do cinema brasileiro, medido pelo percentual de filmes nacionais na programação das salas de projeção, que passou de 1,2%, em 1992, para cerca de 25% em 2001, e pelo número de espectadores de filmes brasileiros, que no mesmo período saltou de 36 mil para quase sete milhões.

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