Alagoas tem mais 1500 pessoas desaparecidas

23 / 05 / 22

Comitê Gestor Estadual de Busca por Pessoas Desaparecidas da SSP está construindo políticas públicas para reverter esses dados

“Meu filho foi passar o natal com os avós em Passo de Camaragibe e quando fui buscá-lo no dia 14 de janeiro de 2014 descobri que ele estava desaparecido. Ele tinha 14 anos na época, saiu com dois outros jovens e nunca mais voltou. Fizemos buscas nas matas, rios e não conseguimos localiza-lo. Já são 8 anos, mas não desisti de achá-lo”. Disse emocionada Irenilda da Conceição que não perdeu a esperança de encontrar o filho Elias Natanael dos Santos com vida.

 

O relato dessa mãe foi feito durante reunião do Comitê Gestor Estadual de Política Nacional de Busca por Pessoas Desaparecidas da Secretaria de Segurança Pública. No encontro, foram apresentados dados atualizados de desaparecimento ocorridos em Alagoas e tratado ações e atos para o dia 25 de maio, que celebra o Dia Internacional das Crianças Desaparecidas.

Os números apresentados por Helena Bonfim, representante do Programa de Identificação e Localização de Desaparecidos (PLID) em Alagoas que integra o Sistema Nacional de Localização e Identificação de Desaparecidos (Sinalid) são impressionantes e preocupantes. De 2018 a 2022, foram registrados 1584 casos em todo o estado, 61% não tem motivo aparente.

“Desse total, 62,37% são do sexo masculino, 36,06% feminino, e 1,57% indeterminado. Pela faixa etária de idade, o maior número de desaparecidos são de adolescentes entre 12 a 17 anos, com 31,25%, seguido de vítimas entre 18 a 24 anos com 15,63%. O número de crianças até 11 anos são de 4,17%”, explicou Helena Bonfim.

Dados da Secretaria de Segurança Pública mostram que a maioria dos desaparecimentos aconteceram em Maceió (782), em segundo lugar está o município de Arapiraca (147), seguido de Rio Largo com 84 casos. Outro dado importante levantado pela Polícia Científica nos IMLs de Maceió e Arapiraca são os registros de 800 corpos não reclamados, a maioria deles não identificados.

Amostras de material biológico desses corpos foram extraídos para serem inseridos na Rede Integrada de Bancos de Perfis Genéticos (RIBPG). A ação faz parte da Campanha Nacional de Desaparecidos que tenta identificar essas vítimas e seus familiares.

“Esses números são de extrema importância para desenvolvimento de ações integradas para combater e divulgar casos de desaparecimento no Estado. Nós que fazemos parte desse grupo, estamos construindo juntos novas políticas públicas para buscar respostas para essas famílias que não perderam a esperança de encontrar o ente desaparecido e que procuram os órgãos oficiais pedindo ajuda”, afirmou o perito médico legista Diogo Nilo, autoridade central estadual do Comitê.

Ato Vozes do Silêncio

No próximo dia 25, quarta-feira da semana que vem, os integrantes do Comité irão participar do “Ato Vozes do Silêncio – Onde estão nossas crianças?”. O evento realizado pelo Instituto Raízes de Áfricas acontecerá na orla lagunar a partir das 11 horas da manhã, para chamar a atenção de casos de desaparecimentos de crianças, como o da pequena Maria Clara Gomes da Silva de 5 anos ocorrido em julho do ano passado, no bairro Vergel do Lago, em Maceió.

“O Vozes do Silêncio é um ato cheio de sons que gritam contra o silêncio acentuado pelo tempo. É para celebrar lembranças das crianças desaparecidas e acolher a memória que segue, bem viva no coração das famílias. Um ato de acolhimento para as famílias e uma outra maneira de contar histórias, dessas vidas, que seguem perdidas no mundo”, explicou Arísia Barros, coordenadora do Instituto Raízes de Áfricas.

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