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Matérias Especiais

“Carta aos Brasileiros” é lida em São Paulo e vários Estados

12 / 08 / 22

Ato em Maceió marca leitura da Carta em Defesa do Estado Democrático de Direito, na frente da sede da OAB Alagoas

Ato em Maceió marca leitura da Carta em Defesa do Estado Democrático de Direito

Manifesto em Alagoas atraiu apenas ativistas de esquerda, intelectuais e movimentos sociais

Ato em Maceió marca leitura da Carta em Defesa do Estado Democrático de Direito

Assim como em várias cidades brasileiras, a capital alagoana reuniu, na manhã desta quinta-feira (11), representantes do direito, da advocacia e ativistas de esquerda para a leitura da Carta às brasileiras e aos brasileiros em defesa do Estado Democrático de Direito.

O movimento nacional já conta com cerca de 1 milhão de assinaturas via internet, além da adesão de artistas, intelectuais, estudantes e personalidades das redes sociais. Em Alagoas, os manifestantes se reuniram em frente à Casa do Advogado, antiga sede da OAB-AL, no centro de Maceió.

Estiveram presentes os professores Fabio Lins, Jasiel Ivo, Welton Roberto, Elita Dorville, Lana Palmeira e Elaine Pimentel, representando o curso de direito da UFAL, além de representantes do Sintufal, Sinteal e da ABJD – Associação Brasileira de Juristas pela Democracia, além de ativistas de esquerda e pré-candidatos nas eleições deste ano.

Advogado e professor da UFAL, Welton Roberto ressaltou a necessidade do estado democrático ser defendido neste momento histórico. “O ato demonstrou que a democracia é o consenso que todas as vertentes da sociedade. Ninguém aceitará ser ultrajado com o desrespeito da vontade popular sufragada nas urnas. Democracia sempre, porque sem ela não há Justiça”, disse.

A leitura da Carta pela democracia vem recebendo tratamento especial da mídia nacional, sendo encarada como um grande ato em defesa do estado democrático de direito – tal qual o manifesto de 1977, que foi importante para a derrubada da ditadura militar em voga na época.

Além disso, o 11 de agosto também marca o dia do advogado, data de grande mobilização dos profissionais da área.

ESTADO DE DIREITO SEMPRE

Inspiradas em carta pela democracia na USP, universidades fazem atos pelo país

Manifesto da sociedade civil em respostas a ameaças golpistas de Jair Bolsonaro é lido em diversas capitais e em Brasília, acompanhado por atos contra o governo

Mario Madureira

carta-democracia-universidades

Milhares de manifestantes lotaram a frente da UFRGS, em Porto Alegre, onde foi lida também a “Carta aos brasileiros” neste 11 de agosto

São Paulo – Pelo menos 15 universidades em nove estados e no Distrito Federal foram palco, nesta quinta-feira (11), da leitura de cartas e manifestações em defesa da democracia e por eleições livres no Brasil. Na data de criação dos cursos jurídicos no país, que originou também o Dia do Estudante, os secundaristas iniciaram cedo os protestos. Por volta das 8h, em frente ao Colégio Júlio de Castilhos, em Porto Alegre, os manifestantes seguiram em direção ao Palácio Piratini, sede do governo estadual, e à Faculdade de Direito da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)., Ali foi lida, às 11h, a Carta às brasileiras e aos brasileiros em defesa do Estado democrático de Direito. 

manifesto (que pode ser lido assinado aqui) é considerado uma resposta à escalada golpista do presidente Jair Bolsonaro (PL) que vem ameaçando não respeitar o resultado eleitoral, caso perca no pleito, em outubro. O protesto foi acompanhando também por universitários e trabalhadores que engrossaram o coro “a nossa luta é todo dia, educação não é mercadoria” e “fora Bolsonaro” durante a passeata. Movimentos sindicais, como o CSP-Conlutas protestaram também com faixas com dizeres “golpe não” e “tomar as ruas para defender as liberdades democráticas”.

Milhares de manifestantes lotaram a frente da UFRGS. A leitura do manifesto também foi acompanhado do local pelos ex-governadores do Rio Grande do Sul, Tarso Genro e Olívio Dutra (PT), candidato ao Senado pelo estado. “Defender a democracia, fundamento do Estado de Direito, é defender um valor axiologicamente superior ao ordenamento jurídico e não uma manifestação partidário”, destacou a diretora do curso de Direito da universidade, Claudia Lima Marques.

carta aos brasileiros
Leitura da carta aos brasileiros na Faculdade de Direito da UFRGS, em Porto Alegre (Foto: Carolina Lima)

Resistência contra ataques

As manifestações em defesa da democracia também começaram cedo em Fortaleza. Por volta das 9h, movimentos sociais, sindicais, estudantis e trabalhadores se reuniram na Praça da Bandeira, em frente à Faculdade de Direito da Universidade Federal do Ceará (UFC). Simultaneamente à leitura nas Arcadas da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, no Largo São Francisco, região central da capital paulista, o juiz aposentado, membro da Associação de Juristas pela Democracia (ABJD), Inocêncio Uchôa, também deu voz à reedição do documento, escrito há exatamente 45 anos contra a ditadura civil-militar.

“É importante que a sociedade brasileira vá às ruas e faça ecoar sua voz contra o arbítrio que se instaurou no governo brasileiro e pela defesa das garantias e direitos fundamentais de todos os brasileiros. É importante que neste momento nós deixemos de lado nossas diferenças e acentuemos as nossas convergências pelos valores da democracia”, observou o professor Newton Albuquerque do curso de Direito da UFC e coordenador da ABJD Ceará.

Já pela manhã, a nova edição da Carta aos brasileiros contava com mais de 950 mil assinaturas, reunindo também entidades empresariais entre os signatários, artistas e banqueiros. Bolsonaro, no entanto, não endossou o documento e disparou críticas desde que ele foi aberto para a sociedade civil. Também houve quase 20 mil tentativas de fraude contra a carta, segundo contou ao G1 o procurador-geral do Ministério Público de Contas de São Paulo, Thiago Pinheiro Lima, um dos organizadores da iniciativa.

Mais atos pelo Brasil

Amplos setores da sociedade civil também partiram na manhã deste dia 11 de agosto em passeata da Praça do Campo Grande, no centro de Salvador, em direção à Praça Castro Alves. Em Teresina, milhares se reuniram na Praça Rio Branco, às 8h30, onde seguiram pelas ruas do centro da capital piauiense até a Praça da Liberdade. O ato foi seguido com faixas que pediam “Fora Bolsonaro” e carros de som. Perto das 10h, também foi lido o manifesto em defesa da democracia.

Entre as organizações presidentes estava a CUT, a Associação dos Docentes da Universidade Federal do Piauí (UFPI), entidades estudantis e coletivos de mulheres. Em Belo Horizonte, a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) também marcou sua adesão à Carta dos brasileiros com ato realizado às 11h. A professora aposentada Misabel Derzi fez a leitura do manifesto, acompanhada da docente Mônica Sette Lopes, diretora da Faculdade de Direito da instituição e do presidente da seção mineira da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Sergio Rodrigues Leonardo.

A Faculdade de Direito da Universidade de Brasília (UnB) também esteve entre as dezenas de instituições que aderiram a Carta aos brasileiros. “Neste Dia do Estudante, a reflexão que se impõe é que só haverá educação libertadora em um país democrático”, escreveu a CUT-DF. No Rio de Janeiro, além das universidades públicas, como a UFR, UERJ e Unirio, a Pontifícia Universidade Católica do Rio (PUC-Rio) também fez a leitura do documento. A agenda de protestos em defesa da democracia e contra as ameaças de Bolsonaro seguem ao longo da tarde com atos de rua em 17 capitais, a partir das 14h.

Confira imagens das manifestações

Brasileiras no exterior divulgam vídeo com leitura da Carta pela Democracia

A Carta com mais de 954 mil assinaturas foi lida por dez brasileiras de diferentes idades, que moram na Alemanha, na Bélgica e nos Estados Unidos. Elas integram uma organização que conecta brasileiros e brasileiras progressistas ao redor do mundo

Reprodução/Twitter

leitura da carta

Integrante da Frente Internacional Brasileira contra o Golpe e pela Democracia lê trecho de Carta da Faculdade de Direito da USP em defesa do Estado democrático de Direito que está correndo o mundo

O dia começou com atos públicos em universidades e ruas nas 26 capitais brasileiras e no Distrito Federal contra as ameaças golpistas do presidente Jair Bolsonaro (PL). Ao todo, pelo menos 86 atos foram confirmados em 49 cidades. As mobilizações seguem até o final da tarde desta quinta.

Carta aos Brasileiros, que havia sido assinada por mais de 954 mil pessoas na conclusão dessa matéria, foi lida por dez brasileiras de diferentes idades moradoras na Alemanha, Bélgica e Estados Unidos. A Fibra é uma organização não institucionalizada, sem fins lucrativos, criada com o objetivo de conectar brasileiros e brasileiras progressistas ao redor do mundo.

Inicialmente chamada de Rede de Brasileiros no Mundo Contra o Golpe, a Fibra surgiu em março de 2016, a partir do aparecimento de diversos grupos de ativistas em diversos países, unidos pela resistência ao golpe parlamentar que destituiu a Presidenta Dilma Rousseff democraticamente eleita em 2014. Atualmente a Fibra reúne 92 coletivos em 26 paìses, representados em todos os continentes.

Confira a leitura da Carta aos Brasileiros pela Fibra

LEIA MAIS

Lançamento da “Carta aos Brasileiros” reúne inúmeras personalidades

Documento será lido em ato na Faculdade de Direito da USP, a partir das 10h

Redação
São Paulo (SP) |

Multidão no Largo São Francisco: bem mais do que as 200 pessoas cálculadas pela reportagem da da Folha de S.Paulo – Igor Carvalho

Acontece nesta quinta-feira (11) o lançamento da “Carta às Brasileiras e aos Brasileiros em defesa do Estado Democrático de Direito”, partir das 10h na Faculdade de Direito da USP no Largo São Francisco, em São Paulo. Neste mesmo dia, atos estão marcados em 49 cidades, incluindo quase todas as capitais do país.

Assista ao vivo:

::Veja a lista dos atos pela democracia desta 5ª feira pelo país; 49 cidades estão confirmadas::

Entenda o contexto

Em vídeo que circula pelas redes sociais, personalidades confirmam presença em atos relacionados à carta que acontecerão em diversas faculdades de Direito do país. Alguns deles são Arnaldo Antunes, Douglas Belchior, Walter Casagrande, Alexandre Frota, Preta Rara, padre Julio Lancellotti, Astrid Fontenelle, Marina Person, Alessandra Negrini, Sabrina Fidalgo e André Abujamra.

 

O documento foi elaborado um grupo de ex-alunos da Faculdade e faz referência aos 45 anos da “Carta aos Brasileiros”, de 1977, quando um movimento liderado pelo professor Goffredo da Silva Telles Junior denunciou a ilegitimidade do governo militar.

Até a noite desta quarta-feira, a carta contava com  878 mil assinaturas, inclusive as de 8 candidatos à Presidência da Republica: Lula, Ciro Gomes, Simone Tebet, Felipe D’Ávila, Soraya Thronicke, Sofia Manzano, Leonardo Péricles e Eymael. O presidente e candidato à reeleição Jair Bolsonaro (PL) não assinou o documento e criticou a iniciativa.

::Movimentos populares voltam às ruas nesta quinta em defesa da democracia e por direitos::

A carta ganhou mais peso político quando nomes da elite financeira nacional declararam sua assinatura. Nomes como os banqueiros Roberto Setubal e Pedro Moreira Salles, co-presidentes do conselho de administração do Itaú Unibanco, Candido Bracher, ex-presidente da instituição e Fabio Barbosa, CEO da Natura, se juntaram à iniciativa.

Além disso, nesta quarta-feira um grupo de 42 artistas publicaram um vídeo realizando a leitura da carta. Entre eles estão Chico Buarque, Fernanda Montenegro, Caetano Veloso, Anitta, Milton Nascimento, Djavan, Dira Paes e Wagner Moura.

 

Respostas aos ataques de Bolsonaro

A carta é considerada uma resposta às ameaças golpistas de Bolsonaro. “Ataques infundados e desacompanhados de provas questionam a lisura do processo eleitoral e o estado democrático de direito tão duramente conquistado pela sociedade brasileira. São intoleráveis as ameaças aos demais poderes e setores da sociedade civil e a incitação à violência e à ruptura da ordem constitucional”, diz um trecho do documento.

::Democracia está em permanente disputa e deve ser exercida cotidianamente, afirmam especialistas::

O texto foi divulgado oito dias depois da reunião de Bolsonaro com embaixadores estrangeiros, na qual repetiu acusações já desmentidas sobre processos de fraude nas eleições.

Tentativas de fraude

De acordo com o site G1, o servidor que hospeda a carta já havia sofrido, do lançamento até a tarde desta quarta-feira, quase 20 mil tentativas de invasão.  O procurador-geral do Ministério Público de Contas de São Paulo, Thiago Pinheiro Lima, um dos idealizadores do movimento, disse que nessa madrugada um hacker tentou derrubar o site ao criar um robô que provocava 8 milhões de acessos simultâneos no site “Estado de Direito”.

De acordo com Lima, as tentativas de ataque já eram esperadas. Por isso, mecanismos de segurança foram implantados e vêm conseguindo impedir os acessos não autorizados ao sistema.

Leia a carta na íntegra:

“Em agosto de 1977, em meio às comemorações do sesquicentenário de fundação dos cursos jurídicos no país, o professor Goffredo da Silva Telles Junior, mestre de todos nós, no território livre do Largo de São Francisco, leu a Carta aos Brasileiros, na qual denunciava a ilegitimidade do então governo militar e o estado de exceção em que vivíamos. Conclamava também o restabelecimento do estado de direito e a convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte.

A semente plantada rendeu frutos. O Brasil superou a ditadura militar. A Assembleia Nacional Constituinte resgatou a legitimidade de nossas instituições, restabelecendo o Estado Democrático de Direito com a prevalência do respeito aos direitos fundamentais. Temos os poderes da República, o Executivo, o Legislativo e o Judiciário, todos independentes, autônomos e com o compromisso de respeitar e zelar pela observância do pacto maior, a Constituição Federal.

Sob o manto da Constituição Federal de 1988, prestes a completar seu 34º aniversário, passamos por eleições livres e periódicas, nas quais o debate político sobre os projetos para o país sempre foi democrático, cabendo a decisão final à soberania popular. A lição de Goffredo está estampada em nossa Constituição: ‘Todo poder emana do povo, que o exerce por meio de seus representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição’.

Nossas eleições com o processo eletrônico de apuração têm servido de exemplo no mundo. Tivemos várias alternâncias de poder com respeito aos resultados das urnas e transição republicana de governo. As urnas eletrônicas revelaram-se seguras e confiáveis, assim como a Justiça Eleitoral. Nossa democracia cresceu e amadureceu, mas muito ainda há de ser feito.

Vivemos em um país de profundas desigualdades sociais, com carências em serviços públicos essenciais, como saúde, educação, habitação e segurança pública. Temos muito a caminhar no desenvolvimento das nossas potencialidades econômicas de forma sustentável. O Estado apresenta-se ineficiente diante dos seus inúmeros desafios. Pleitos por maior respeito e igualdade de condições em matéria de raça, gênero e orientação sexual ainda estão longe de ser atendidos com a devida plenitude.

Nos próximos dias, em meio a estes desafios, teremos o início da campanha eleitoral para a renovação dos mandatos dos legislativos e executivos estaduais e federais. Neste momento, deveríamos ter o ápice da democracia com a disputa entre os vários projetos políticos visando convencer o eleitorado da melhor proposta para os rumos do país nos próximos anos.

Ao invés de uma festa cívica, estamos passando por momento de imenso perigo para a normalidade democrática, risco às instituições da República e insinuações de desacato ao resultado das eleições. Ataques infundados e desacompanhados de provas questionam a lisura do processo eleitoral e o Estado Democrático de Direito tão duramente conquistado pela sociedade brasileira.

São intoleráveis as ameaças aos demais poderes e setores da sociedade civil e a incitação à violência e à ruptura da ordem constitucional. Assistimos recentemente a desvarios autoritários que puseram em risco a secular democracia norte-americana. Lá as tentativas de desestabilizar a democracia e a confiança do povo na lisura das eleições não tiveram êxito, aqui também não terão. Nossa consciência cívica é muito maior do que imaginam os adversários da democracia. Sabemos deixar ao lado divergências menores em prol de algo muito maior, a defesa da ordem democrática.

Imbuídos do espírito cívico que lastreou a Carta aos Brasileiros de 1977 e reunidos no mesmo território livre do Largo de São Francisco, independentemente da preferência eleitoral ou partidária de cada um, clamamos às brasileiras e aos brasileiros a ficarem alertas na defesa da democracia e do respeito ao resultado das eleições.

No Brasil atual não há mais espaço para retrocessos autoritários. Ditadura e tortura pertencem ao passado. A solução dos imensos desafios da sociedade brasileira passa necessariamente pelo respeito ao resultado das eleições. Em vigília cívica contra as tentativas de rupturas, bradamos de forma uníssona:
Estado Democrático de Direito Sempre!”

Edição: Rodrigo Durão Coelho

Carta de 2022 incomodou Bolsonaro e se contrapôs ao autoritarismo; leia análise

Carlos Fico

A carta de 1977 tornou-se marco importante na memória dos que participaram da resistência democrática contra a ditadura militar, mas aquele manifesto não foi capaz de acelerar o fim do regime – assim como outras manifestações assemelhadas.

A memória de alguns setores valoriza o evento. Ao historiador cabe a tarefa inglória de buscar a (quase utópica) objetividade.

Na época, a agência de São Paulo do Serviço Nacional de Informações (SNI) conseguiu um exemplar do manifesto e rascunhou uma “apreciação sumária” enviada à agência central. O documento enfatizava que poucos titulares e livre-docentes haviam assinado a carta. O SNI, entretanto, não difundiu a informação. O general-presidente Ernesto Geisel não mencionou a carta na longa entrevista divulgada em 1997 pela Fundação Getúlio Vargas.

Ato em defesa da democracia realizado na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo Foto: Felipe Rau/Estadão

© Fornecido por EstadãoAto em defesa da democracia realizado na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo Foto: Felipe Rau/Estadão

O projeto da “lenta, gradativa e segura” abertura do general Geisel tinha como principais empecilhos os militares “revolucionários sinceros, mas radicais” – e não a oposição da sociedade civil. A chamada “linha dura” já havia desafiado Geisel com as mortes sob tortura de Vladimir Herzog (1975) e Manoel Fiel Filho (1976). O desafio foi respondido com a demissão do general Ednardo D’Ávila Mello do comando do II Exército onde aconteceram os assassinatos.

Em abril de 1977, Geisel, fortalecido, pôs o Congresso em recesso, aumentou para seis anos o mandato de seu sucessor, criou a figura dos “senadores biônicos”, ampliou o alcance da “Lei Falcão” que limitava a propaganda eleitoral, entre outras arbitrariedades. Para os que esperavam a abertura, tudo isso parecia um absurdo, um exagero.

Essas medidas arbitrárias foram impostas sob o pretexto de que o Congresso havia rejeitado, no final de março de 1977, a reforma do Judiciário – sobre a qual discordavam ministros do STF, juízes federais e juristas vinculados aos estados da Federação. Foi nesse contexto que a carta de agosto de 1977 surgiu.

A carta de 2022 conseguiu incomodar o atual presidente antes de ser lida. O evento mobilizou pessoas em todo o Brasil. A cerimônia, num espaço tradicionalmente marcado pela cautela conservadora, contou com a presença de mulheres, negros e estudantes cotistas. O simbolismo quase mítico das “Arcadas” – que reverencia a democracia – se contrapôs ao autoritarismo. Como cidadão, torço para que o historiador do futuro constate a importância do atual manifesto para a preservação do Estado de Direito.

Carlos Fico é professor titular de História do Brasil da UFRJ

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