Ricardo Rodrigues

Disputa presidencial passa por Alagoas

Polarização entre Lula e Bolsonaro coloca o Nordeste como fiel da balança e Alagoas como contrapeso decisivo para o retorno do PT ao Palácio do Planalto

Por Ricardo Rodrigues

Depois da passagem do presidente Jair Bolsonaro por Alagoas, onde foi hostilizado pela esquerda e endeusado pela direita, vai ficando cada vez mais claro que as eleições de 2022 será polarizada. De um lado o ex-presidente Lula; do outro Bolsonaro, tentando a todo custo uma reeleição praticamente impossível, por conta do desgaste do governo federal no combate à pandemia da Covid-19.

As pesquisas colocam Lula na liderança, seguido por Bolsonaro. Os dois disputariam o segundo turno, com maiores chances de vitória para o petista. Os demais pré-candidatos – Sergio Moro (sem partido), Ciro Gomes (PDT), Luciano Huck (sem partido) e João Doria – entrariam na disputa como coadjuvantes, trabalhando indiretamente para evitar uma vitória de Lula no primeiro turno e ajudando Bolsonaro a chegar no segundo turno.

A liderança de Lula nas pesquisas já começa a incomodar a classe dominante, principalmente a burguesia do Sul e do Sudeste do Brasil, que fez de tudo para tirar Lula do páreo, nas eleições de 2018, facilitando assim a vitória de Bolsonaro. Quem não lembra das manifestações pró-Bolsonaro e contra Lula, na porta da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), na Avenida Paulista?

Bastou Lula parecer na frente das pesquisas para o Estadão de São Paulo, um dos jornais que mais representa a nata da oligarquia sulista, publicou um editorial detonando o petista, essa semana. O texto prevê uma polarização inevitável entre Lula e Bolsonaro, mas dentro de uma “conjuntura confusa e um cenário sombrio”.

Para o jornal paulista, “um segundo turno entre Lula e Bolsonaro oporia o atraso ao retrocesso, a indecência à imoralidade, a desfaçatez ao cinismo”. E prevê: “É impossível que o desfecho de tal disputa resulte em algo positivo para o País, especialmente porque, em qualquer dos casos, o vencedor certamente aprofundará a discórdia entre os brasileiros”.

Como se não bastasse, a pesar das decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), o jornal ainda trata Lula como culpado pelas acusações investigadas pela Operação Lava Jato, ao dizer que o ex-presidente “não foi inocentado”. Diz ainda que “Lula comanda o PT com mão de ferro”, quando todos sabem que o ex-presidente é maior que o partido.

A postura do Estadão não difere dos demais veículos de comunicação de massa. Para a grande mídia, o PT e Lula ainda estão associados uma série de “escândalos e falcatruas”. No entanto, como o petista vem desfazendo cada vez mais essa imagem e se mostrando mais confiável, a ponto de ser apontado como uma espécie de “salvação nacional”, a grande mídia vem aos poucos abrindo espaço para ele.

Afinal entre Bolsonaro e Lula, a parte mais sensata da mídia deverá fechar com o candidato do PT, principalmente no segundo turno. Mas isso vai depender muito também dos acordos e das alianças que o partido irá fazer em torno do nome de Lula. Quando maior for o espectro dessas alianças, maior será a chance do petista voltar ao Palácio do Planalto.

O ex-presidente sabe disso e já disse que não se furtará de ir à luta, liderando uma frente ampla, com partidos de centro, de centro-esquerda e de esquerda – numa espécie de candidatura de todos contra “Ele”.

Por isso, o trabalho do senador Renan Calheiros (MDB), como relator da CPI da Covid-19, é tão importante. Caso o senador alagoano consiga enquadrar Bolsonaro em crime de responsabilidade contra a saúde pública, pela demora em combater a pandemia e vacinar as pessoas contra o coronavírus, estará dando um passo firme para indicar o candidato a vice da chapa encabeçada por Lula.

Não por acaso, o nome do governador de Alagoas, Renan Filho (MDB), vem sendo citado, pela mídia nacional, como um provável vice de Lula, na luta do petista pelo retorno à presidência da República. Tanto pai como filho desconversam quando o assunto é esse. Para o senador, o mais importante agora é encontrar os culpados, por mais de 430 mil mortes provocadas pela Covid-19 no Brasil.

Já o governador não decidiu ainda nem se continua no governo até o último dia de mandato, ou se renuncia antes, para disputar as eleições de 2022. Caso deixe o cargo antes do tempo, Renan Filho estará pavimentando sua candidatura ao Senado e se colocando também à disposição das forças progressistas, como um nome forte para compor a chapa de Lula, como candidato a vice-presidente.

Afinal, o ex-presidente tem no Nordeste seu maior reduto eleitoral, atingindo 56% das intenções de voto na região.

COLLOR E BOLSONARO

As forças reacionárias, que fecham com Bolsonaro, estavam no palanque do presidente durante sua visita a Alagoas. Os mesmos adversários de Lula e Renan, nas eleições de 2018: o senador Fernando Collor (Pros); o presidente da Câmara, deputado federal Arthur Lira (PP); e seu pai, o ex-deputado Benedito de Lira (PP), atual prefeito da Barra de São Miguel.

Collor inclusive foi uma espécie de anfitrião do presidente em Alagoas. No palanque, ao lado de Bolsonaro, o ex-presidente ria toda vez que a plateia puxava o coro, com xingamentos contra o senador Renan, relator da CPI da Covid-19 no Senado.

Em seu discurso, o presidente não citou o nome de Renan, mas criticou a CPI da Covid-19 e disse que “nenhum vagabundo” vai tirá-lo do poder. Para o presidente, a CPI está cometendo “um crime”. Só não disse qual. Tirando as bravatas, o discurso do presidente não passou de uma tentativa de retaliação ao trabalho da CPI da Covid-19.

VEJA MATÉRIA SOBRE PESQUISA DATAFOLHA

Lula lidera pesquisa Datafolha para presidente (G1)

Petista tem 41%, Bolsonaro 23% Moro, 7% e Ciro 6% das intenções de voto, para a eleição de 2022

A primeira pesquisa do instituto Datafolha, divulgada na quarta-feira (12/5) pelo jornal Folha de São Paulo, com índices de intenções de votos dos brasileiros, constata a vitória do ex-presidente Lula no primeiro turno, se fosse hoje a eleição presidencial de 2022,

O levantamento aponta que ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem 41% das intenções de voto no 1º turno; seguido pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), com 23%; Sergio Moro (sem partido), com 7%; Ciro Gomes (PDT), com 6%; Luciano Huck (sem partido), com 4%; e pelo governador de SP, Joao Doria, com 3%.

Luiz Henrique Mandetta (DEM) e João Amoêdo (Novo) aparecem empatados com 2% das intenções de voto. Somados, os adversários de Lula têm 47%, seis pontos percentuais a mais que o ex-presidente. Votos brancos e nulos são 9%, e 4% se disseram indecisos.
O levantamento é do Instituto Datafolha e foi realizado entre em 11 e 12 de maio em 146 cidades, com 2.071 pessoas entrevistadas. A margem de erro é de dois pontos percentuais.

VEJA DOS NÚMEROS

Intenções de voto no 1º turno
Lula: 41%
Bolsonaro: 23%
Moro: 7%
Ciro: 6%

Em um possível 2º turno entre Lula e Bolsonaro, o candidato do PT teria 55% das intenções de voto, contra 32% do atual presidente. Lula receberia votos dos eleitores de Doria, Ciro e Luciano Huck, enquanto o Bolsonaro teria votos do ex-ministro da Justiça Sergio Moro.

Em um 2º turno com Moro, Lula também teria vantagem, de 53% a 33%. Contra Doria, o resultado seria 57% a 21% a favor do petista.

Jair Bolsonaro teria um empate técnico em um 2º turno contra Doria, com 39% das intenções de voto para o presidente e 40% ao governador de SP. Bolsonaro perderia para Ciro Gomes, de 36% a 48%.

Intenção de voto no 2º turno em uma disputa entre Lula e Bolsonaro
Lula: 55%
Bolsonaro: 32%

Intenção de voto no 2º turno em uma disputa entre Lula e Moro
Lula: 53%
Moro: 33%

Intenção de voto no 2º turno em uma disputa entre Lula e Doria
Lula: 57%
Doria: 21%

Intenção de voto no 2º turno em uma disputa entre Bolsonaro e Doria
Bolsonaro: 39%
Doria: 40%

Intenção de voto no 2º turno em uma disputa entre Bolsonaro e Ciro
Bolsonaro: 36%
Ciro: 48%

Esta é a primeira pesquisa Datafolha para as Eleições de 2022 desde que Lula recuperou os poderes políticos.

O Datafolha aponta que Lula recebe votos de eleitores de menor renda e escolaridade. Ele tem 51% das intenções de voto entre os entrevistados que declararam ter ensino fundamental e 47% na faixa de renda de até dois salários mínimos. O índice cai para 30% em declarou ter ensino superior e 18% na faixa de quem tem renda maior do que dez salários mínimos.
NORDESTE

O ex-presidente tem o Nordeste como maior reduto eleitoral, atingindo 56%.
Bolsonaro, segundo a pesquisa, tem 36% entre os entrevistados que declararam estar vivendo normalmente, mesmo com a pandemia — Lula tem 33%. Quem disse estar mantendo as recomendações de isolamento social apoiam o candidato do PT, com 58% contra 8% a favor do atual presidente.

Ainda, Bolsonaro tem apoio forte de homens (29%), dos que declararam ter o Ensino Médio completo (26%) e dos que tem renda de cinco a dez salários mínimos (30%).
O presidente perde para Lula em todas as regiões do país, mas tem melhor desempenho no Sul, no Centro-Oeste/Norte, com 28%.

Entre os evangélicos, Bolsonaro tem 34% e Lula 35% das intenções de voto, um empate técnico segundo critérios do Datafolha.

Já entre os desempregados que procuram trabalho, 16% votariam em Bolsonaro. Contudo, o presidente lidera entre os empresários com 49% das intenções de voto. Neste grupo, Lula tem 26%.

Dentre os que receberam o Auxílio Emergencial, 22% disseram que votariam no presidente.
Ciro Gomes se sai melhore entre os entrevistados que têm ensino superior, com 11%, e com os mais ricos (13%).

O índice de rejeição do Datafolha mostra que Bolsonaro tem 54%, seguido por Lula (36%), Doria (30%), Huck (29%), Moro (26%) e Ciro (24%).

Índice de rejeição
Bolsonaro: 54%
Lula: 36%
Doria: 30%
Huck: 29%
Moro: 26%
Ciro: 24%.

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