Ricardo Rodrigues

Fora Bolsonaro! Fora genocida!

Pelo andar da carruagem, estamos no mato sem cachorro. À procura de um substituto imediato para esse serial killer de faixa, à solta em Brasília

Por Ricardo Rodrigues

Mais de 500 mil pessoas já morreram no Brasil, vítimas da Covid-19, do começo da pandemia, em março de 2020, para cá. Enquanto isso, apenas 11,5% dos brasileiros receberam duas doses da vacina contra o novo coronavírus, no País. Em Alagoas, mais de 4 mil pessoas foram a óbito, deixando milhares de famílias enlutadas.

Entre os mortos, moradores de todos os 102 municípios do Estado, de todos os níveis sociais, crianças, jovens, adultos e idosos. O vírus foi letal para praticamente todas as famílias, não poupou ninguém, principalmente os pacientes com comorbidades, que já chegam às unidades de saúde, nas últimas, precisando de intubação e aparelhos de oxigênio.

Apesar do esforço do governo, em aumentar a oferta de leitos da rede pública, os hospitais estão lotados de pacientes para tratamento da Covid-19. A taxa de ocupação de leitos de UTI já chega a 100% em muitos municípios, e na capital está à beira do colapso. Os infectologistas defendem a ampliação de leitos, mas avisam que isso só não basta, para fazer frente ao aumento constante dos casos da doença.

O vírus é mais rápido que a vacinação, com isso não adianta só aumentar o número de leitos, temos que combater prioritariamente a propagação da doença, até que a maioria de população esteja imunizada. E como se faz isso, aumentando o ritmo da vacinação para atingir todas as faixas etárias, quanto mais pessoas vacinadas melhor, e evitando aglomerações, ficando em casa, usando máscaras e lavando as mãos.

Estas orientações veem sendo repetidas insistentemente por médicos e demais profissionais de saúde, na linha de frente à Covid-19. Gestos simples, como o uso de álcool em gel ou lavar as mãos corretamente, veem sendo ensinados à exaustão para crianças e adultos, só não entende essas necessidades quem não quer. Os negacionistas – aqueles que negam até as evidências científicas – estão nesse grupo de pessoas que rejeitam até as vacinas, desprezam o uso de máscaras e não evitam aglomerações.

O líder dos negacionistas é o presidente Jair Bolsonaro, que está sendo acusado de crime de lesa a pátria e pode ser levado a julgamento nos tribunais internacionais, por crime contra a humanidade. Ele deve ser indiciado pela CPI da Covid-19 no Senado, responsável pela morte de mais de meio milhão de pessoas, por ter atrasado a vacinação, investido em medicamento sem eficácia comprovada e ter feito propaganda contra o uso de máscaras.

FORA BOLSONARO!

O comportamento irresponsável, antiético e nocivo do presidente da República, num momento de pandemia, levou a população brasileira às ruas, para protestos históricos e manifestações memoráveis. O movimento “Fora Bolsonaro”, organizado por partidos de esquerda e movimentos sociais, eclodiu mais uma vez neste final de semana, com protestos em todas as capitais e principais cidades do País.

Em Alagoas, o ato público foi sábado, na Praça Centenário, de onde os manifestantes saíram em passeata pela Avenida Fernandes Lima. Com bandeiras, faixas e cartazes, os manifestantes gritavam “Fora Bolsonaro, genocida”. Para eles, o presidente é responsável pela mortandade de pessoas, vítimas da Covid-19, no Brasil. Além da devastação das florestas, do desemprego, da carestia, da violência no campo e nas cidades.

BRASIL TÁ LASCADO!

O Brasil tá lascado!. Foi como resumiu o ex-BBB Gil do Vigor, com muita propriedade. Lascado e dividido, entre aqueles que ainda apoiam um governo genocida e a grande população brasileira que já não suporta mais tanto descaso, tanta omissão, tanta falta de empatia por parte da maior autoridade do País. Quem deveria dar exemplo de sensatez e bom-senso, equilíbrio e altruísmo, se mostra insensível ao problema e benevolente às transgressões daqueles que, como ele, desafiam as regras sanitárias.

Lamentável, porque não se trata só de números, nem de governabilidade. Trata-se de vidas humanas perdidas, ceifadas pela maior pandemia de todos os tempos. Muitos morreram antes do tempo, com uma vida inteira pela frente. Pessoas que tiveram os sonhos e os projetos interrompidos, prematuramente. Entes queridos, parentes, amigos, colegas de trabalho e artista que tanto admiramos foram levados pela Covid-19.

E nós, o que fazemos? O que diremos aos órfãos da pandemia? Quem paga por isso? Ou vai ficar por isso mesmo, como sempre? Ninguém sabe. Ninguém viu. Nem o governo federal, que tantos erros cometeu, assume a responsabilidade pelo morticínio, muito menos Estados e municípios. O cidadão comum, enlutado, fica à mercê da sorte, sem chão, sem perspectiva, sem norte. Por mais que tenha feito, todo esforço foi em vão, o vírus venceu e levou quem não devia ter ido, morrido.

CONSTANGIMENTO GERAL

Situações constrangedoras que jamais teríamos imaginado, quando se perde um parente ou um amigo querido. Não poder velar os nossos mortos, ou ter que sepultá-los às escuras ou em valas comum, isso é terrível. Situação só comparada em casos de guerra. Mas até na guerra, há momentos de lucidez, quando se pensa na paz. Quando se vê que a guerra não leva a nada, não existe vencedores e nem vencidos. Todos perdem.

Vivemos dias assim, de guerra, de angústia e desolação. Dias sombrios, de ruas vazias, casas fechadas e diversão zero. Não teremos nem o nosso tradicional São João. Como não tivemos Natal, nem Carnaval. Até quando?

Não sabemos, porque não somos Nova Iorque que superou a pandemia e agora se abre por inteira, para o deleite de moradores e visitantes. Não estamos nos Estados Unidos da América, onde a vacina se encontra com facilidade em qualquer esquina. Estamos no Brasil, onde o presidente faz apologia à cloroquina e manda as pessoas saírem sem máscaras, ao mesmo tempo que atrasa a compra de vacinas e suspende a ajuda emergencial às famílias afetadas pelos reflexos econômicos da pandemia.

Ou seja, a situação ainda é muito séria, porque os hospitais estão lotados, o vírus se multiplicando em variantes cada vez mais letais e o Palácio do Planalto fazendo pouco caso disso tudo. Ou seja, pouco se lixando. Pelas últimas aparições do presidente, parece que ele está mais preocupado com as eleições de 2022 do que com o esforço necessário para imunizar massivamente a população brasileira.

Ou seja, pelo andar da carruagem, estamos no mato sem cachorro. À procura de um substituto imediato para esse serial killer de faixa, à solta em Brasília.

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