Sul e Sudeste têm as melhores universidades do País

09 / 09 / 13

Ufal aparece em 38ª colocação; Uneal e Uncisal entre as piores instituições de ensino superior

As regiões Sul-Sudeste concentram 19 das 25 melhores universidades do país. São Paulo aparece à frente, com cinco instituições, seguido por Rio de Janeiro (quatro), Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul (três cada) e Santa Catarina (uma).

O Nordeste tem quatro (Bahia, Ceará, Paraíba e Pernambuco) e o Centro-Oeste, duas (Goiás e Distrito Federal) entre as melhores.

A Universidade Federal de Alagoas (Ufal) aparece no ranking na 38ª colocação, a frente de várias universidades federais e estaduais. A Uneal e a Uncisal – universidades ligadas ao governo do Estado de Alagoas – aparecem entre as piores instituições, a primeira na 181ª colocação e a segunda em 186º lugar.

USP, UFRJ e UFMG encabeçam o ranking. A região Norte não aparece no grupo principal.

A título de comparação, a nota média do grupo de elite do RUF (86,79) é 27% superior à média das 25 instituições que vêm a seguir no ranking de universidades (68,40).

Essa radiografia regionalizada do ensino superior brasileiro emerge da edição 2013 do RUF, cujo ranking geral, publicado integralmente nesse suplemento, classifica as 192 instituições reconhecidas como universidades pelo Ministério da Educação.

Em sua segunda edição, o RUF manteve a filosofia e aperfeiçoou a metodologia para contemplar duas grandes áreas de interesse: a produção científica –aferida com base em indicadores de pesquisa, inserção internacional e inovação– e a graduação, calcada na avaliação da qualidade de ensino e na ressonância da instituição no mercado de trabalho.

No total, são avaliados 5 indicadores, subdivididos em 16 subindicadores, que geram rankings independentes e podem ser consultados separadamente.

É na área de graduação que está a maior novidade deste ano: o ranking de ensino, uma análise extensiva inédita dos indicadores dos cursos ministrados em 2.358 instituições.

A avaliação contempla as 30 carreiras com maior número de estudantes matriculados em 2011 (último dado disponível no instituto de pesquisa do MEC, o Inep).

Conduzido pelo Datafolha, o levantamento usa basicamente os mesmos critérios de ensino e mercado do ranking geral de universidades, mas com adaptações metodológicas para atender às diferenças de propósitos das instituições –que nesse caso incluem também os centros universitários e faculdades.

Dada a extensão do universo pesquisado, o ranking de cursos é publicado em versão limitada aos dez primeiros colocados. As tabelas completas podem ser consultadas no site do RUF.

RESULTADOS

A USP aparece com destaque nesse levantamento pormenorizado, com o maior número de cursos no top 10 das 30 carreiras analisadas. A maior universidade estadual paulista só não pontua em serviço social porque não tem essa graduação.

A ampliação da avaliação do ensino por curso permitiu ainda identificar destaques entre instituições que não são classificadas como universidades. As faculdades Insper e a FGV-SP, por exemplo, ficaram entre as dez melhores nas duas carreiras de seus portfólios analisadas pelo RUF.

Outra novidades do RUF 2013 é a criação do ranking de internacionalização, liderado na estreia pela Universidade Federal do ABC. Criada em 2005 e com um modelo inovador de ensino, a instituição tem 100% de docentes com doutorado e desponta no 21º lugar do ranking de pesquisa científica do RUF.

ENADE TIRA USP DO TOPO DA GRADUAÇÃO

Primeira colocada no ranking geral do RUF 2013 e dona de alguns dos cursos mais cobiçados do país, a USP perdeu para as federais UFRGS e UFMG no indicador de ensino.

A desvantagem da universidade estadual paulista pode ser explicada por uma decisão metodológica desta edição 2013: a inclusão do Enade, exame nacional do MEC, como critério para avaliar cursos de graduação.

A USP é a única escola do país que até este ano se recusava a participar da prova, escorada no argumento das deficiências do exame, que não permite, por exemplo, identificar se uma nota baixa é reflexo de boicote do aluno.

Parte da sociedade, porém, encarava a decisão como uma recusa da universidade a se submeter a avaliações comparativas.

Sem o Enade, a USP perdeu de largada dois pontos. Como sua diferença em relação à líder de ensino, UFRGS, foi de 1,07 ponto, ela provavelmente assumiria a ponta também nesse indicador, caso tivesse feito a prova.

Um dado reforça essa possibilidade. A estadual paulista ficou à frente das duas federais nos outros três subindicadores de ensino (opinião dos avaliadores do Inep-MEC, docentes com doutorado e com dedicação integral).

A inclusão do Enade no RUF atende o objetivo de valorizar a participação das universidades numa avaliação nacional e padronizada dos estudantes.

O entendimento é que a prova federal, criada em 2004 e feita anualmente por cerca de 500 mil formandos, pode dar informações pertinentes sobre a qualidade da formação nas instituições.

No mês passado, a USP anunciou a adesão em caráter experimental, mas suas notas não serão divulgadas ao menos nos próximos três anos. Os alunos também poderão faltar ao teste, sem qualquer punição -nas federais e particulares obrigadas por lei a fazer o exame, os ausentes não conseguem tirar o diploma.

A pró-reitoria de graduação diz que “reconhece o Enade como indicador de qualidade”, mas aguarda aprimoramentos para aderir a ele integralmente.

A entrada tardia no exame federal atrapalhou também a Unicamp, que começou a participar apenas em 2010 e não tem notas em todos os cursos. A escola de Campinas ficou em 7º no ensino.
discrepância
A complexidade do RUF traz uma situação que pode parecer contraditória. A USP é 3ª colocada no indicador geral de ensino, mas é a universidade com o maior número de cursos em primeiro lugar (sete).

Para o Datafolha, que tabulou dos dados, isso pode ocorrer porque a nota geral leva em conta todos os cursos das 192 universidades, e não apenas as 30 carreiras avaliadas individualmente no RUF. Assim, alguns dos outros 219 cursos oferecidos pela USP podem perder pontos para concorrentes, como as federais de Minas e do Rio Grande do Sul.

AS LÍDERES

Primeira colocada no ranking das graduações, a UFRGS afirma que a universidade foi impulsionada pela contratação, nos últimos cinco anos, de 750 professores, que se somaram aos então 2.000 docentes, como parte do programa de expansão das universidades federais, iniciado em 2007 -95% dos novos educadores têm titulação de doutor.

“Ganhamos em vitalidade e em novas ideias. Os recém-contratados se aliaram a um corpo docente já consolidado”, afirma o reitor Carlos Alexandre Netto.

A UFMG diz que seu ponto forte é a integração de ensino e pesquisa. O reitor Clélio Campolina Diniz cita como exemplo um acordo recém-fechado com a Fiat para desenvolvimento dos motores a álcool usados nos veículos da montadora. Os estudantes poderão participar do projeto.

PARTICULARES APOSTAM NOS CONVÊNIOS

Flexibilidade para atualizar projetos pedagógicos de cursos, avaliação constante de aulas/professores e programas de estágios robustos, que aproximam alunos de empresas e instituições de ensino.

São essas as três características comuns às universidades privadas que estão no ranking das dez instituições de ensino superior com maior aceitação no mercado de trabalho nas 30 carreiras analisadas pelo RUF.

O Datafolha perguntou a 1.681 executivos da área de recursos humanos de empresas de todo o Brasil de quais universidades eram os formandos que suas organizações mais contratavam.

A lista das mais citadas (veja ao lado), encabeçada pela USP, traz a Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM) na segunda posição, a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) na quarta colocação, a PUC-Minas no sexto lugar e a Universidade Paulista (Unip) em nono lugar do ranking de mercado.

“Essas instituições têm o benefício de colocar no mercado um grande número de alunos. Ainda assim, as três práticas citadas por elas são, de fato, importantes para que tenham preferência no mercado de trabalho”, avalia Romário Davel, consultor educacional da Hoper.

“Instituições antenadas que flexibilizam os programas de seus cursos podem torná-los mais atrativos a quem emprega. Um sistema de controle de qualidade do conteúdo ministrado em aula é, portanto, fundamental também. E um projeto de estágios aproxima os alunos de quem pode empregá-los.”

Nona colocada na classificação do mercado de trabalho, a Unip tem cerca de 170 mil alunos, dos quais mais de 70 mil frequentam cursos à distância. Para o reitor João Carlos Di Genio, no entanto, não foi o volume de formandos que colocou a instituição entre as dez mais citadas pelas áreas de recursos humanos das empresas.

“Há outras instituições com tantos estudantes quanto nós em São Paulo e que não foram tão citadas”, defende. “Sempre estivemos voltados para o mercado e o futuro das profissões, cujas mudanças são ditadas pela economia e pelas medidas do governo. Atualizamos nossos cursos em função dessas diretrizes.”

A vice-reitora, Marília Ancona Lopes, cita o caso do curso de pedagogia, que ganhou disciplinas lecionadas via internet para familiarizar os alunos a novas plataformas de ensino e de relacionamento com alunos.

A UPM (Universidade Presbiteriana Mackenzie) credita sua classificação a uma combinação que tem como elemento-chave o programa de estágios.

Foi por meio dele que, em 2012, mais de 16 mil contratos de estágio para os cerca de 40 mil alunos do Mackenzie foram assinados. “Fomos os primeiros a criar um programa oficial de estágios no Brasil, ainda nos anos 1920”, conta o reitor Benedito Guimarães.
Bolsas de auxílio-pesquisa, laboratórios, incubadora de empresas júnior e eventos de recrutamento também são citados como parte deste resultado.

Para a reitora da PUC-SP, Ana Cintra, o sistema de avaliação do corpo docente da universidade, que passou a incluir pareceres dos alunos, ajuda a manter a instituição neste ranking. “A tradição e a história da PUC pesam bastante também”, avalia.

Para a vice-reitora da PUC-Minas, Patrícia Bernardes, é preciso que universidade e mercado dialoguem mais, já que são as empresas que lidam com inovação e produtividade e que geram a renda do país.

“Para aumentar produtividade e competitividade do Brasil é necessário que as universidades falem um pouco mais a linguagem do mercado”, diz. “O desafio da universidade é fazer com que a aproximação dos alunos com o mercado se dê com a maior qualidade possível.”

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