Sobe para 28 mortos na chacina do Jacarezinho

07 / 05 / 21

De acordo com o secretário da instituição, 'todos os mortos eram traficantes'; ONU pede explicações ao governo do Rio de Janeiro

“Policia assassina, chega de chacina”, gritavam os manifestantes em passeata. nesta sexta-feira, pelas ruas próximas à comunidade do Jacarezinho, no Rio de Janeiro. Com faixas e cartazes, os manifestantes protestavam contra a operação mais letal da Policia Civil numa favela.

A manifestação aconteceu próximo do local onde foram executados vários suspeitos de envolvimento com o trafico de drogas e aliciamento de menores. Moradores da região dizem que inocentes foram mortos e exigem a relação de todos os assassinados. Veja a seguir matéria do jornal carioca O Dia:

O secretário de Polícia Civil, Allan Turnowski, confirmou, na noite desta sexta-feira, que na operação do Jacarezinho que aconteceu na quinta-feira (6), foram contabilizadas 28 mortes, e não 25, como havia sido anunciado anteriormente. Entre os mortos, está o policial civil André Frias, de 48 anos.

Durante o enterro do agente da instituição, Turnowski disse que “para quem conhece um pouco de operação, o traficante atira para fugir, mas ontem eles atiraram para guardar posição, para matar. Eles tinham ordem para confrontar, eles não correram”, disse o secretário. Agentes da Polícia Rodoviária Federal também compareceram na despedida ao agente da DCOD.

VICE-PRESIDENTE

‘Tudo bandido’, disse o vice-presidente , Hamilton Mourão sobre mortos em operação no Jacarezinho

‘Entra um policial numa operação normal e leva um tiro na cabeça de cima de uma laje’, acrescentou o vice-presidente.

Já o instituto Igarapé afirmou em nota que é inaceitável o Estado continuar apostando na letalidade como principal estratégia de segurança, sobretudo em lugares mais pobres.

O vice-presidente da República, Hamilton Mourão, classificou como “tudo bandido” os 27 mortos em uma operação policial realizada nesta quinta-feira (6), na comunidade do Jacarezinho, na Zona Norte do Rio. “Tudo bandido! Entra um policial numa operação normal e leva um tiro na cabeça de cima de uma laje”, afirmou Mourão.

“Lamentavelmente, essas quadrilhas do narcotráfico são verdadeiras narcoguerrilhas, têm controle sob determinadas áreas”, disse o general, acrescentando: “É um problema da cidade do Rio de Janeiro, que já levou várias vezes que as Forças Armadas fossem chamadas a intervir. É um problema sério da cidade do Rio de Janeiro que vamos ter que resolver um dia ou outro”.

Operação Exceptis

Ao todo, 28 pessoas foram mortas na ação – entre elas, o policial civil André Frias, da Delegacia de Combate às Drogas. Até o momento, a identidade das demais vítimas não foi divulgada.

De acordo com a Polícia Civil, a Operação Exceptis foi realizada para prender criminosos que foram identificados em investigações que estariam recrutando crianças e adolescentes para o mundo do crime. Além do tráfico de drogas, os criminosos respondem pelos crimes de homicídio, formação de quadrilha e sequestro de trens.

Segundo a plataforma digital Fogo Cruzado, que registra dados de violência armada desde julho de 2016, é o maior número de mortes durante uma operação da polícia em uma comunidade desde o início dos levantamentos. Em 2021, o Fogo Cruzado já contabilizou 30 casos em que três ou mais pessoas foram mortas a tiros em uma mesma situação no Grande Rio.

Com informações de Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

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