Partidos aliados disputam 2º escalão do governo Lula em Alagoas

08 / 04 / 23

Na briga por cargos, o PCdoB sai na frente com a nomeação do jornalista Cícero Filho para a chefia da Superintendência Regional do Trabalho em Alagoas

Autor: Ricardo Rodrigues

Na briga por cargos, o PCdoB sai na frente com a nomeação do jornalista Cícero Filho para a chefia da Superintendência Regional do Trabalho em Alagoas 

Às vésperas de completar cem dias no comando do País, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ainda não concluiu a ocupação dos cargos de segundo escalão. Em Alagoas, a maioria das repartições federais segue sem chefia. O entrave para a indicação dos nomes está no aumento do leque de alianças, que incluiu partidos ligados ao presidente da Câmara, deputado federal Arthur Lira (PP), logo após a posse do novo governo.

Na cota dos partidos federados, que deram sustentação à candidatura de Lula à Presidência da República nas eleições de 2022, o PCdoB conseguiu emplacar o jornalista e servidor público Cícero Filho na Superintendência do Regional do Trabalho em Alagoas. A indicação dele para o comando da antiga Delegacia Regional do Trabalho em Alagoas (DRT/AL) foi confirmada no início desta semana.

O militante comunista é oficial de justiça e foi candidato a prefeito de Maceió, nas eleições de 2020. Após ser confirmado no cargo, em entrevista à imprensa, Cícero Filho disse que assumir o MTE em Alagoas é uma grande responsabilidade. “Encaro essa nomeação como uma nova e importante missão. Como tudo que fiz na vida, darei o meu melhor. Agradeço ao ministro Luiz Marinho e ao presidente Lula pela confiança”, afirmou.

No comando da antiga DRT/AL, Cícero Filho será responsável pela execução, monitoramento e supervisão de ações relacionadas às políticas públicas do universo do trabalho, emprego e renda. A Superintendência Regional do Trabalho também atua na mediação e arbitragem em negociações coletivas, orientação e apoio ao cidadão, como a emissão de Registro de Trabalho e a liberação do Seguro Desemprego.

Com a nomeação de Cícero Filho, o PCdoB saiu na frente até mesmo do PT e do PV, outros dois partidos da Federação que se formaram no último pleito para dar sustentação à candidatura de Lula. Os demais cargos seguem indefinidos, mas estão sendo negociados pelo coordenador da bancada federal, o deputado Paulão (PT), com outros partidos aliados, entre eles o PP liderado pelo deputado federal Arthur Lira.

Aliado de última hora do governo Lula, Lira teve o apoio do PT para sua reeleição como presidente da Câmara dos Deputados. Com isso, o líder do ‘Centrão’ – maior bloco partidário do Congresso Nacional – aproximou-se do presidente petista e tem sido decisivo na aprovação das propostas do governo na Câmara. Agora, ele se prepara para ocupar ou manter parte dos cargos federais do segundo escalão, indicando seus apadrinhados.

Entre os cargos disputados pelos partidos da base aliada estão o comando da Rede Ferroviária Federal, a superintendência do Ibama, o comando da Polícia Rodoviária Federal (PRF), a chefia da Fundação Nacional de Saúde e a superintendência do Incra. Aguardam nomeações também a chefia do INSS, do Instituto do Patrimônio Histórico Nacional (Ifan) e da Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco (Codevasf).

MINISTÉRIO DOS TRANSPORTES

Enquanto o governo federal patina na nomeação dos cargos do segundo escalão, o ministro dos Transportes, Renan Filho, fechou a composição da cúpula da pasta. No entanto, a ocupação dos cargos de segundo escalão continua indefinida nos demais ministérios e tem gerado negociações intensas nos bastidores políticos. A disputa por espaço em ministérios de peso, como Educação, Saúde e Previdência Social, se mantém acirrada.

No caso do Ministério dos Transportes, o ministro Renan Filho conseguiu driblar as pressões políticas e montou uma equipe formada exclusivamente por técnicos ou ex-colaboradores seus em Alagoas, onde ele foi governador por dois mandatos seguidos, de 2015 a 2022. Um dos primeiros convocados para a sua equipe foi ex-secretário da Fazenda de Alagoas, o economista George Santoro, que assumiu a secretaria-executiva do ministério.

Outro homem de confiança de Renan Filho, escolhido para a Secretaria Nacional de Trânsito do Ministério dos Transportes (Senatran), foi o advogado Adrualdo Catão, doutor em Direito pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e ex-diretor do Detran/AL. Caberá a ele fiscalizar e fazer cumprir a legislação de trânsito e a execução das normas e diretrizes estabelecidas pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran).

No mês de março, o ministro Renan Filho conformou o nome da engenheira Viviane Esse como secretária de Transportes Rodoviários. Servidora pública federal de carreira, ela foi superintendente da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e subchefe-substituta da Casa Civil da Presidência da República.

O economista Leonardo Ribeiro, mestre em Economia e especialista em orçamento público, já havia sido nomeado em fevereiro como secretário de Transportes Ferroviários. Ele é analista legislativo e participou diretamente da formulação do marco legal de ferrovias, aprovado em 2021. A nova lei permite à iniciativa privada projetar, construir e operar ferrovias pelo regime de autorização federal.

 

 

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