
Morre em Arapiraca o pesquisador da cultura popular Zezito Guedes, aos 89 anos
O historiador e pesquisador da cultura popular José Gomes Pereira, conhecido como Zezito Guedes, faleceu na segunda-feira (8/12), aos 89 anos, em Arapiraca, no Agreste de Alagoas. O corpo do mestre foi velado no Museu que leva seu nome Zezito Guedes, na antiga sede da Prefeitura de Arapiraca, que guarda a história que ele ajudou a construir e preservar.
A despedida do historiador teve início às 19h, no museu, na Praça Luiz Pereira Lima, no Centro da cidade. O sepultamento aconteceu às 9 horas da terça-feira, no Cemitério São Francisco.
Zezito Guedes deixa quatro filhos, nove netos, um bisneto e um legado que seguirá gerações. Suas obras contribuíram não só para o registro da cultura fumageira ou do desenvolvimento de Arapiraca, colocou a capital do Agreste para ser conhecida por todo o país.
BIOGRAFIA
Natural de Juru, na Paraíba, Zezito chegou ainda jovem ao município alagoano, onde desenvolveu estudos sobre a cultura local, registrou tradições populares e atuais na formação cultural da cidade.
O apelido carinhoso foi dado por Ariano Suassuna em 1974. Zezito foi reconhecido como patrimônio da cultura alagoana pela Secretaria de Estado da Cultura de Alagoas (Secult) em 2013 e foi um dos fundadores da Academia Arapiraquense de Letras e Artes (Acala).
Em 2009, a Prefeitura de Arapiraca inaugurou o Museu Zezito Guedes, localizado na Praça Luiz Pereira Lima, no Centro, que reúne obras do pesquisador e transferências temporárias.
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Zezito Guedes faleceu aos 89 anos. — Foto: Reprodução/TV Asa Branca Alagoas
Entre suas publicações, destacam-se “Arapiraca Através do Tempo”, lançado no final da década de 1990 e relançado pela Uneal em 2021, e “Cantigas das Destaladeiras de Fumo”, também republicado pela editora da universidade. Suas obras abordam temas como a Feira Livre, a cultura do fumo e as manifestações populares da região.
Nos últimos anos, Zezito enfrentou problemas de saúde e deixou de conceder entrevistas. A causa da morte não foi informada pela família.
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Zezito Guedes adotou nome artístico dado pelo amigo Ariano Suassuna
Historiador e pesquisador cultural nasceu José Gomes Pereira; ele faleceu na segunda-feira (8/12) e foi enterrado na terça-feira (9/12)
Por Luciano Milano (G1)
Zezito Guedes é nome artístico de José Gomes Pereira e foi dado por nada menos que o Ariano Suassuna, em um encontro dos dois, em Recife, em 1974. Arapiraca decretou luto oficial de três dias pela morte de Guedes.
Criador de o Auto da Compadecida, Suassuna disse a Zezito Guedes, morto na segunda-feira (8), em Arapiraca, aos 89, que precisava adotar o apelido para a carreira de historiador e pesquisador cultural. Conforme a família contou ao g1, até então, ele não pensava em mudar de nome.
“Aquele encontro com o Ariano Suassuna mudou essa perspectiva. Até aqui em Arapiraca, poucas pessoas o conheciam pelo verdadeiro nome, José Gomes Pereira. Todos só sabiam quem era o Zezito Guedes. Meu avô ficou muito feliz com o apelido dado pelo amigo dele, o Suassuna, e isso o acompanhou pelos anos de vida que se dedicou a contar a história de Arapiraca, ele era um apaixonado por essa terra”, declarou ao g1 José Gláucio, neto de Zezito Guedes.
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Zezito Guedes — Foto: Arquivo Pessoal
Além de historiador e pesquisador, Zezito Guedes era escritor, escultor, artista plástico e foi membro fundador da Academia Arapiraca de Letras e Artes (Acala), além de ter sido reconhecido como patrimônio da cultura alagoana pela Secretaria de Estado da Cultura de Alagoas (Secult).
Entre as obras de relevante importância para Arapiraca e Alagoas escritas por Zezito Guedes estão ‘Arapiraca Através do Tempo’ e ‘Cantigas das Destaladeiras do Fumo de Arapiraca’, entre outros livros.
Zezito Guedes deixa quatro filhos, nove netos, um bisneto e um legado que seguirá gerações. Suas obras contribuíram não só para o registro da cultura fumageira ou do desenvolvimento de Arapiraca, colocou a capital do Agreste para ser conhecida por todo o país.
Perda da esposa na covid-19
Ainda conforme o neto de Zezito Guedes, o Alzheimer foi a causa principal da morte do historiador. A doença começou a aparecer ainda na covid-19, em 2020, quando ele perdeu a esposa, Maria Vilma Pereira, que morreu por conta do vírus, aos 81 anos.
A morte da companheira de mais de 50 anos de vida foi um grande abalo emocional para Zezito Guedes.
“De alguma forma, ironicamente, a doença do meu avô acabou mantendo-o por aqui mais tempo porque se estivesse consciente, com certeza, acredito que ele não teria aguentado viver sem a esposa, sem minha avó. Já acometido do problema, perguntava por ela, e a gente dizia que ela havia ido ao Centro, algo do tipo, e logo ele esquecia”, revelou José Gláucio.
















