Serra do Parafuso, entre Alagoas e Pernambuco, poderá virar um Parque Ecológico

19 / 08 / 26

Marcos Araújo, do SOS Caatinga, apresentou um vídeo, sobre a situação na Serra do Parafuso, que se encontra com a fauna e a flora ameaçadas pela implantação de uma Usina Eólica na região

Autor: Ricardo Rodrigues/Repórter

Proposta foi apresentada por Marcos Araújo, do SOS Caatinga, na reunião do Cepram que ficou de marcar uma visita à Mata Grande, onde uma Usina Eólica que está para se instalar na região

 

A Serra do Parafuso, localizada na divisa dos Estados de Alagoas com Pernambuco, poderá virar um Parque Ecológico, caso o governo do Estado decida encampar essa proposta do Movimento SOS Caatinga, feita ontem (18/8) ao Conselho Estadual de Proteção Ambiental (Cepram), em reunião realizada na sede do Instituto do Meio Ambiente (IMA), no bairro do Farol em Maceió.
A proposta foi apresentada pelo ecologista Marcos Araújo, do SOS Caatinga, logo após ele fazer uma apresentação em vídeo, sobre a situação na Serra do Parafuso, que se encontra com a fauna e a flora ameaçadas pela implantação de uma Usina Eólica na região. Os integrantes do Cepram ficaram impressionados com as informações e decidiram marcar uma visita à Mata Grande, onde a estação de energia eólica está para ser instalada.
Além de entregar um relatório sobre os riscos que a Usina Eólica pode causar ao meio ambiente, Marcos Araújo fez a apresentação sobre o bioma da Serra do Parafuso. Ele alertou para os impactos danosos que a produção de energia eólica em larga escala, com torres de cata-ventos gigantes, pode provocar na vegetação e na vida dos animais que habitam a serra.
Segundo o representante do Movimento SOS Caatinga, a serra é repleta de animais raros e espécies ameaçadas de extinção. No relatório entregue ao Cepram, constam fotos de grupos de macaco-prego-galego (Sapajus Favius) e seus apetrechos de pedras, usados por eles para descascar frutas e debrar sementes, encontrados nos arredores da serra.
Por isso, para Marcos Araújo, é um risco a instalação de uma usina eólica no pé da serra. Ele lamentou que o projeto tenha sido licenciado pelo IMA. Por isso, pediu para que essa posição fosse revista. Nesse sentido, durante a reunião, foi aprovada uma comissão para visita à Serra do Parafuso. Foi aprovada também a apresentação dos encaminhamentos feitos pelo IMA, na próxima reunião do Conselho, que deverá acontecer após as eleições.
BRASKEM
Durante a reunião, foram aprovadas as multas à Braskem, com relação a dois autos de infração contra a mineradora, um deles referente a suposta omissão de informações acerca da cavidade Mina18, detectado no dia 7 de novembro de 2023.
O processo sobre o colapso da Mina18 teve como relator o reitor da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), professor Josealdo Tonholo, mas estava com a conselheira Rosa Tenório (Crea/AL), após pedido de vistas. Ela participou da reunião e disse que as duas infrações foram mantidas, bem como a aplicação das multas.
A segunda multa foi aplicada porque a mineradora foi acusada de apresentar, elaborar ou prestar informação, estudo, laudo ou relatório de desempenho ambiental – RADA total ou parcialmente falso, enganoso ou omisso, com relação às atividades de mineração de sal-gema. Além de não comunicar a ocorrência de anomalias, patologias e subsidência na região dos Bairros do Pinheiro, Mutange, Bebedouro e Farol, seja no procedimento de licenciamento ou durante o monitoramento ambiental.
Esse processo teve como relator o tenente-coronel do Corpo de Bombeiros Militar Moisés Pereira de Melo (CEDEC/AL), mas se encontrava com o reitor da Ufal, Josealdo Tonholo. Ele não participou da reunião, mas foi representado pelo professor Fábio, que o substituiu e apresentou o voto pela aplicação da multa à mineradora Braskem.
A 315ª Reunião do Cepram foi presidida pelo jornalista Tiago di Lucas, assessor de comunicação da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh). Durante a reunião, os conselheiros debateram também outros dois pontos de pauta, relacionados a um pedido da Prefeitura de Piranhas e a uma multa imposta à Prefeitura de Palmeira dos Índios.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *