Artista alagoano vence as barreiras do corpo

15 / 09 / 13

Jovem com paralisia destaca-se na performance corporal e quer se apresentar no México

O corpo é nu. Atraente ou não, é nu. Despido de preconceito, puro corpo, nu como a verdade, como a luz no nascimento de um bebê. Na sociedade de consumo, a nudez é relacionada ao que convém olhar como belo, mas o corpo pode ser diferenciado: por paralisia infantil, acidente de carro, tetraplegia ou vários outros motivos.

No caso do teatrólogo alagoano Felipe Monteiro, 24 anos, foi a amiotrofia espinhal progressiva que desenhou o seu corpo diferenciado e definiu todas as linhas do seu destino, da tenra idade sem bater as perninhas à pós-graduação em Artes Cênicas pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Da cadeira de rodas para a ribalta, mesmo sem poder mexer o corpo, Felipe desenvolveu justamente uma performance corporal. A genial experiência de palco (e de vida) se configurou na dissertação de mestrado do teatrólogo, será lançada como livro na Bienal da Editora da Universidade Federal de Alagoas (Edufal) e foi selecionada a participar do Festival Internacional de Teatro, na cidade de Mazatlán, no México, entre os dias 7 e 10 de outubro.

Inspirado na artista plástica mexicana Frida Kahlo, a performance “Kahlo em Mim Eu e(m) Kahlo” questiona os estigmas dos corpos diferenciados para “tirar esse ranço de preconceito, de deficiência”, como afirma o mestre Felipe. Assim como Frida, ele não aceita a pecha de “coitadinho” e sempre foi um exemplo de superação, na vida e na arte.

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