Passeata estudantil, na Avenida Angélica (SP), contra a invasão do Crusp, completa 60 anos
Manifestação é um capítulo da história do Movimento Estudantil contra a Ditadura Militar e por mais verbas para o ensino público no Brasil
Autor: Ricardo Rodrigues
Manifestação, liderada por moradores do Conjunto Residencial da Universidade de São Paulo (CRUSP), é um capítulo da história do Movimento Estudantil contra a Ditadura Militar e por mais verbas para o ensino público no Brasil
Por Ricardo Rodrigues, com informações da internet
No dia 13 de junho de 1965, há exatos 60 anos, cerca de mil estudantes saíram em passeata, pela Avenida Angélica , em São Paulo (SP), em protesto contra a Ditadura Militar, que tinha tomado o poder no Brasil no final de março de 1964.
A manifestação foi em protesto contra a invasão do Crusp (Conjunto Residencial da Universidade de São Paulo). Segundo os registros históricos, em junho de 1965, a Polícia Militar invadiu o Crusp, o alojamento estudantil da USP, em São Paulo que servia de sede para o DCE (Diretório Central dos Estudantes da USP).
Para protestar contra a truculência policial, os estuantes foram às ruas de São Paulo e saíram em passeata com faixas e cartazes contra a Ditadura Militar no Brasil.
Afrontando a ditadura, em julho daquele ano foi realizado o 27º congresso da UNE, em São Paulo que reorganizou a entidade. Mesmo na ilegalidade, a UNE continuou atuando e, no ano seguinte, realizou seu 28º congresso (28/7/1966), em Belo Horizonte, Minas Gerais.
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Para quem não tem ideia da repressão aos estudantes universitários na época da Ditadura Militar no Brasil é importante ouvir ou ler depoimentos como este da Rute Bevilaqua da Física, que era aluna de Fisíca da Universidade de São Paulo (USP) e morava no CRUSP, quando a residência estudantil foi invadida e fechada, em 1968.
AI-5 e a invasão do CRUSP
“Quem diria? Quem imaginaria que tempos de “falar baixinho, olhando para o chão” poderiam voltar?”
Por Rute Bevilaqua
Há mais de meio século, no dia 13 de dezembro de 1968, a ditadura de 1964 baixou o AI-5 (Ato Institucional nº 5), que substituiu “A Ditadura Envergonhada” por uma “Escancarada”. Foi este Ato que permitiu o fechamento do Congresso, a cassação de parlamentares e juízes do Supremo Tribunal Federal (STF) e acabou com garantias individuais, inclusive o habeas corpus.
Logo depois da decretação do AI-5, no 17 de dezembro de 1968, o Conjunto Residencial da Universidade de São Paulo (CRUSP) foi invadido pelo exército e pela polícia. Todos os moradores-estudantes foram levados presos e os alojamentos imediatamente fechados.
Eu era estudante de Física e morava lá no bloco A, de frente para a avenida. Fazia dias que dormíamos em colchões, no chão, com medo de que o CCC (Comando de Caça aos Comunistas) atirasse da rua e fossemos atingidas pelas balas que já tinham se mostrado capazes de atravessar facilmente a divisória fininha da fachada do prédio.
Na noite anterior a gente quase não dormiu. Olhávamos ainda a noite pela janela quando ouvimos o barulho dos tanques que se aproximavam. A Cidade Universitária foi cercada, parecia uma operação de guerra feita para que ninguém conseguisse escapar do CRUSP. Fomos intimados a descer de nossos apartamentos e aprisionados por horas no Centro de Vivência. Uma tristeza imensa transparecia na cara de cada um de nós. Eu chorava muito e sentia como se o mundo estivesse desabando.
No CRUSP moravam cerca de 1400 estudantes, a maioria vinda do interior e, talvez, algumas dezenas de estrangeiros. Neste dia, muitos já tinham saído de férias, cerca de 800 ainda permaneciam ali e testemunharam essa invasão.
Antes de ir para o ônibus que nos levaria para a prisão, passei na Banca da Cultura (uma pequena livraria ali existente) e sai com um livro pequeno, ninguém estava lá para cobrar. Não consigo me lembrar do autor nem do título.
A caminho do presídio, atravessávamos a cidade como se estivéssemos voltando de tardezinha de um piquenique gigante. No painel de cada ônibus se lia algo assim como “colegial” e um policial, ao lado da porta do motorista, portava uma arma de cano longo e não tirava os olhos da gente.
Sentei-me ao lado da minha companheira de apartamento, do lado da janela. Na altura da Igreja da Consolação, numa virada para esquerda, eu joguei para fora o livrinho com um bilhete na primeira página. Continha o telefone da minha casa e pedia a quem o encontrasse que telefonasse para os meus pais, avisando que estávamos sendo todos presos (centenas de pessoas).
Ainda me lembro de um solzinho de fim de dia cinzento e chuvoso caindo sobre as pessoas que tentavam atravessar a rua e olhavam a fila de ônibus desse concorrido piquenique. O ônibus dobrou a esquina antes que eu visse alguém pegar o livro, o que não impediu que pouco tempo depois eu e minha família concluíssemos que tinha sido a polícia.
No presídio não cabia tanta gente, na chegada já assistimos ao deprimente desfile de prostitutas desocupando celas para que nós “meninas de família” entrássemos. Na espera no pátio, não cabia tanta gente nas celas mesmo com a saída das ocupantes anteriores.
Mesmo na prisão, dava para sentir como éramos privilegiadas. As faxineiras se solidarizavam com agente e nos preveniam sobre “os perigos de contrair alguma doença venérea naquele local contaminado”. Elas diziam “Vê-se que vocês são meninas de família, não entendemos porque foram trazidas para cá”.
Elas tinham razão, éramos parte dos privilegiados que iam para a universidade; a maioria ali, certamente, não tinha tido experiência com a fome. Mas já começávamos a nos sentir doentes depois de muitas horas sem comida. Foi quando uma das nossas protetoras surgiu com um cacho de bananas que foi devorado rapidinho.
Já era noitinha e eu ainda sobrava no pátio com outras meninas que também não tinham sido conduzidas para as celas. De repente, nos levaram para a saída do presídio e nos deixaram ir embora depois de uma pequena burocracia. Legal, não tivemos que passar a noite toda andando para lá e para cá, evitando encostar nas paredes e sentar no chão sujos. Saí com a impressão de que fomos dispensadas por excesso de contingente, de que não havia mais vagas lá dentro.
Depois da invasão, quando as “autoridades” fizeram a IPM do CRUSP (IPM – Crusp – Relatório – 1968-1969) e uma exposição na Rua Sete de Abril que exibiu as provas do “ambiente de baixo amoralismo” que, segundo eles, era o CRUSP, nós estudantes fomos pintados na grande imprensa como grandemente promíscuos.
Segundo a versão deles havia ali estudantes residentes e também outras mulheres, “inclusive menores, adolescentes de fora trabalhando ali como prostitutas. Foi neste relatório que descobri que nós, cruspianos, tínhamos contribuído bastante para a “degradação moral e dissolução dos costumes da família brasileira”.
Tive então que optar por me considerar uma retardada por ter morado 2 anos lá sem nunca ter notado tanta perversão ou entender que para certos sistemas se manterem são obrigados a apelar pra mentiras de montão. Preferi tentar ser imparcial e entender que tais sistemas podem até produzir algumas verdades convenientes para eles. Ou não é para isso que servem infiltrados?
Quando os cruspianos, que se mudaram para as vizinhanças da Cidade Universitária, se encontravam tinham sempre histórias interessantes para contar, apesar das circunstâncias, nem todas eram de chorar, algumas delas eram até bem engraçadas. Uma destas que ouvi muitas vezes, era contada por diferentes estudantes de engenharia da Poli, os que tiveram seus livros usados no curso sobre Bombas Hidráulicas confiscados como material subversivo e exibidos como prova do terrorismo existente no CRUSP.
Anos depois, assistindo ao sucesso profissional de “delinquentes cruspianos” era de se perguntar como tantos depravados poderiam ter se tornado profissionais tão bem-sucedidos e até respeitados no mundo! Agora me perguntaria se isso teria alguma coisa a ver com o tal do “marxismo cultural”.
O espaço necessário para registrar tudo de ruim, consequências diretas do AI-5, seria imenso e não é o objetivo deste texto mencioná-las. Mas o mundo tem mostrado que quando garantias constitucionais são suspensas fica valendo tudo nos porões. Que qualquer governo que só ofereça ao povo pobreza, sofrimento e falta de esperança; se quiser se manter, terá que reprimir: lançar mão de AI-5s, com licenças para torturar e matar e de “fake news” para rotular e desmoralizar oponentes.
Sabe-se também que governos autoritários em geral não admitem que estejam torturando, só que nem investigam tais denúncias. No momento os povos da América Latina estão indo às ruas para protestar contra as políticas de austeridade, mantidas por governos autoritários que não se importam com as tragédias sociais causadas por elas. Estes governos agem como se fossem funcionários do Mercado e não do povo, atendem os interesses de corporações e de impérios.
Parece piada de mal gosto que 51 anos depois o filho de nosso presidente “democraticamente eleito”, ele mesmo um parlamentar, diga que “a resposta (a protestos de povo na rua) pode ser um novo AI-5”.
É inacreditável que o ministro chefe do Gabinete de Segurança Institucional, General Heleno, declare na grande imprensa que será preciso “estudar como vai fazer o AI-5 ”. Mas praticamente este parece até que já vem se consolidando com o “excludente de ilicitude”, que aprovado permitiria a policiais e militares matarem manifestantes impunemente, pois não seriam presos em flagrante, nem processados por crime doloso e ainda seriam defendidos por advogados do governo.
Recentemente, a matança de jovens e a impunidade dos policiais que tem havido parecem confirmar a implementação de um AI-5 neste governo, mesmo antes de sua aprovação. Quem diria? Quem imaginaria que tempos de “falar baixinho, olhando para o chão” poderiam voltar? Ainda mais depois de “eleições democráticas”?!… Só que isso já não parece impossível, a impressão que temos é de que estamos caminhando para uma “ditadura escancarada”.
E a tragédia maior poderá ser o peso do Brasil facilitando mais opressão e espoliação também aos nossos vizinhos. Volto no tempo, vejo os colegas heróis-cruspianos, da USP e de outras partes do Brasil que foram torturados e/ou assassinados pela ditadura/64 contra a qual lutaram.
Vejo foto do monumento-homenagem aos estudantes da USP vítimas do regime militar (na Cidade Universitária). Os que lhes tiraram a vida nunca foram punidos! Muitos ainda estariam vivos se não fosse o tal do AI-5. Sem que eu queira, vem a minha mente a foto dos meninos mortos em Paraisópolis e também a foto da menina Agatha que, segundo o inquérito, foi morta por um PM “sob forte tensão”.
As imagens se misturam. Dói pensar que nossos heróis que lutaram contra a ditadura/64 morreram lutando também para que nunca mais acontecessem tragédias como essas. Eles acreditavam que um mundo melhor seria possível e não tem mundo melhor que combine com AI-5s e “excludentes de ilicitudes”.
Fantasmas do passado voltam a incomodar: é o ser levado só com a roupa do corpo da própria casa, do local de trabalho, do caminho da escola, da ocupação urbana, do protesto na rua, do acampamento dos sem terra, do quilombo, da oca, do debaixo do viaduto, da calçada e até do pancadão; é o ser sequestrado e ir parar numa prisão horrorosa sem saber quando será convidado a sentar na cadeira do dragão ou a ficar pendurado num pau de arara; é não saber por quanto tempo terá que ficar preso, se vai morrer rapidinho ou se terá que aguentar muito tempo a rotina da tortura para garantir medalhas aos torturadores; é, se sentindo baratinado, ser obrigado a vagar pelas ruas de uma cidade que nunca será a sua, cruzando com gente, que sem te vê, foge de ti com medo e também te dá medo. é ser jovem, querer no próprio destino mandar e descobrir que não manda em nada; é ouvir o estomago roncar, meter a mão no bolso e não encontrar um puto; é procurar então um lenço ou um documento, que também não encontra…. Chega! desligo o CD e escrevo na capa: Ai, ai, ai, AI-5s NUNCA MAIS!
* Rute Bevilaqua é Física pela Universidade de São Paulo (USP). Morava no CRUSP, quando foi invadido e fechado, em 1968.
SOBRE O CRUSP
O Conjunto Residencial da Universidade de São Paulo (CRUSP) serve além de alojamento para alunos de baixa renda da USP, mas também é um símbolo da resistência e luta estudantil. Em 1963 o CRUSP nasce com o objetivo de abrigar os atletas dos jogos Pan Americanos e, após os jogos, abrigar os estudantes da USP.
Logo de início o CRUSP é palco das lutas estudantis, quando o reitor Luiz Antônio da Gama e Silva não permitiu a liberação para os estudantes morarem, então 30 apartamentos foram ocupados por estudantes em forma de protesto, dando início à resistência estudantil no CRUSP.
Em 1967 o CRUSP já era o centro do movimento estudantil de São Paulo, com seus moradores participando avidamente da luta contra a ditadura militar.
Foi em 17 de dezembro de 1968, pouco depois da instituição do AI-5, que tropas do exército invadiram e ocuparam o CRUSP, fecharam a Banca da Cultura, argumentando que a livraria fazia parte do movimento estudantil, e prenderam entre 800 a 1000 estudantes.
Após a ocupação dos militares, houve uma exposição dos itens “subversivos” apreendidos no CRUSP, livros sobre a reforma agrária foram expostos no objetivo de manchar a imagem dos moradores, como baderneiros comunistas. Para continuar a série de violências e opressões, 4 meses após a invasão começa mais uma caça aos docentes da USP.
Com o tempo, apesar da problemática década de 70, o CRUSP foi reaberto, recebendo apenas estudantes da pós-graduação e, eventualmente, os alunos de graduação que precisavam de residência estudantil.
A UNE E O MOVIMENTO ESTUDANTIL
Por Joelza Ester Domingues
O movimento estudantil, isto é, o ativismo político dos estudantes, tem suas raízes nos primeiros tempos da República (segundo alguns autores até antes, no período colonial e imperial) e ganhou força a partir da fundação da UNE, União Nacional dos Estudantes, em 1937.
Os estudantes tornaram-se, então, “verdadeiros pontas de lança de uma sociedade amordaçada, reprimida e oprimida, atuando no sentido de desencadear movimentos de caráter mais amplo e que desembocaram em sérias transformações políticas no País” (Mendes Jr., 1981).
Examinamos aqui os primeiros trinta anos do movimento estudantil, de sua fundação à Passeata dos Cem Mil, em 1968. A UNE nos tempos da legalidade Entre a década de 1940 até o golpe civil-militar de 1964, os estudantes estiveram à frente de diversos movimentos, entre eles:
Campanha pela declaração de guerra às potências nazi-fascistas (1942) – fato que contribuiu para a UNE ganhar a sua sede na Praia do Flamengo 132, Rio de Janeiro onde funcionava um clube alemão fechado sob acusação de ser um foco de espionagem e propaganda nazista.
Campanha pelo fim da ditadura do Estado Novo, pela anistia aos presos políticos e pela redemocratização do país (1942-45).
Campanha pelo monopólio estatal do petróleo sob o lema “O Petróleo é Nosso” e criação da Petrobrás (1947-53).
Greve contra o aumento das tarifas de bondes que levou o presidente Juscelino Kubitschek a buscar solução junto aos líderes da UNE (1956).
Campanha pela deposição de Roberto Campos da superintendência do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDE) que defendia a participação do Brasil nos Acordos de Roboré que implicariam em gastos da Petrobrás apenas para atender aos interesses da empresa norte-americana Gulf Petroleum Co. na Bolívia (1958-59).
Formação do Centro Popular de Cultura (CPC) dedicado ao teatro, cinema, música e do qual saíram nomes como Vianinha, Paulo Pontes, Chico de Assis, Carlos Lira e João das Neves (1961). O CPC realizou a Campanha de Alfabetização de Adultos organizando grupos de estudantes para realizar esse trabalho pelo método Paulo Freire. O líder soviético Nikita Kruschev telefona para o Brasil, numa alusão ao poder de mobilização das lideranças estudantis.
ME inspira charge de Appe publicada em “O Cruzeiro” (25/8/1962).
Greve do Um Terço, greve geral universitária pela presença estudantil em 1/3 nos conselhos universitários. A greve teve adesão de 90% dos estudantes paralisando a maior parte das 40 universidades do país (1962). Apesar da greve ter fracassado em seu objetivo, ela fortaleceu o grau de consciência política dos estudantes e levou a público a questão da Universidade antes restrita aos meios acadêmicos.
Participação no célebre Comício da Central do Brasil (13/03/1964) convocado pelo presidente João Goulart para lançar seu projeto de Reformas de Base. A UNE junto com a União Metropolitana de Estudantes (UME), a União Brasileira de Estudantes Secundários (UBES) e entidades sindicais conseguiu reunir perto de 200 mil pessoas em frente à Estação de Ferro Pedro II, no Rio de Janeiro. O comício foi o pretexto para o golpe civil-militar ocorrido dezoito dias depois, em 31/03/1964.
Atuação da UNE durante a ditadura militar. A UNE foi uma das primeiras vítimas do golpe civil-militar.
Em 1º de abril de 1964, sua sede no Rio de Janeiro foi invadida, saqueada e queimada. Não era a primeira vez que isso acontecia: a polícia invadiu o prédio da UNE em 1948 em plena campanha nacionalista pelo petróleo e em 1956 durante a campanha contra o aumento da passagem de bonde; e, em 1962 o Movimento Anticomunista (MAC) metralhou a fachada da sede. Mas a repressão de 1964 foi a mais violenta estendendo-se também à Faculdade Nacional de Direito, Rio de Janeiro cujo prédio foi cercado por tanques e grupos paramilitares de direita que tentaram incendiá-lo com os estudantes dentro.
Sede da UNE, no Rio de Janeiro, é incendiada, abril de 1964. Em novembro, a Lei nº 4.464, conhecida como Lei Suplicy (9/11/1964) deu um duro golpe nas organizações estudantis. Segundo a lei, os diretórios acadêmicos (DAs) continuariam tendo existência obrigatória nas faculdades inclusive o Diretório Central de Estudantes (DCE) composto de representantes dos DAs. Em compensação, a lei vedava aos órgãos de representação estudantil qualquer ação, manifestação ou propaganda de caráter político-partidário, bem como incitar, promover ou apoiar ausências coletivas aos trabalhos escolares. Isso significava, na prática, a ilegalidade dos movimentos estudantis promovidos pela UNE, UBES e UEEs. Eles estavam proibidos de protestar contra a ditadura e estimular greves. Porém, os estudantes continuaram protestando.
Em junho de 1965, a Polícia Militar invadiu o Crusp, o alojamento estudantil da USP, em São Paulo que servia de sede para o DCE (Diretório Central dos Estudantes da USP). Cerca de mil estudantes saíram em passeata em protesto pela invasão do Crusp (13/6/1965).
Afrontando a ditadura, em julho daquele ano foi realizado o 27º congresso da UNE, em São Paulo que reorganizou a entidade. Mesmo na ilegalidade, a UNE continuou atuando e, no ano seguinte, realizou seu 28º congresso (28/7/1966), em Belo Horizonte, Minas Gerais.
Em 22 de setembro de 1966, a UNE proclamou o Dia Nacional da Luta contra a Ditadura e convocou os estudantes para a passeata que acabou reprimida pela polícia. A maior truculência policial ocorreria, porém, horas depois, na madrugada o dia 23 de setembro.
O Massacre da Praia Vermelha (23/9/1966)
O Dia Nacional da Luta contra a Ditadura serviu para levantar outras reivindicações como a ampliação da representação estudantil nos colegiados, a defesa da autonomia universitária, o fim da cobrança de anuidades estabelecida pela Lei Suplicy e o fim da proibição de atividades políticas nas organizações estudantis.
A UFRJ desempenhou papel protagonista nesta luta: seus estudantes protestaram também contra o aumento do preço das refeições (que passou de 50 Cruzeiros para 220 Cruzeiros) e pela libertação de Rodrigo Lima, estudante da Faculdade Nacional de Direito (FND), preso no Batalhão de Guardas do Exército. Policiais chegam à Faculdade de Medicina, campus da Praia Vermelha, RJ, para cercar o prédio e desocupá-lo (22/9/1966).
Acuados pela polícia desde a repressão à passeata do dia 22, os estudantes da UFRJ se refugiaram na Faculdade de Medicina, no campus da Praia Vermelha, Rio de Janeiro. No meio da tarde, tropas da polícia militar cercaram o prédio exigindo que ele fosse desocupado.
A reitoria e uma comissão de pais tentou negociar com a polícia a saída pacífica dos alunos. Diante do impasse, cerca de 600 manifestantes decidiram passar a noite no local. De madrugada, entre 2h e 3h, as tropas invadiram o prédio. Foi autorizada a saída daqueles que o fizessem espontaneamente, mas teriam que passar por um corredor de policiais que davam cacetadas em uns e outros. Depois, os policiais entraram nas salas à procura dos resistentes, espancando os que encontravam pelo caminho e destruindo laboratórios e instalações.
A invasão da Faculdade de Medicina, ficou conhecida como o Massacre da Praia Vermelha e tornou-se um evento símbolo da importância do movimento estudantil na luta pela democracia e pela autonomia universitária.
A mobilização estudantil persistiu e ocorreram novos episódios. Os guerrilheiros da serra de Caparaó Paralelamente, ex-militares cassados, expulsos das Forças Armadas, formaram o Movimento Nacionalista Revolucionário (MRN) com o apoio financeiro de Cuba.
No período de 1966-67, eles se concentraram na Serra de Caparaó, na divisa entre Minas Gerais e Espírito Santo, onde esperavam desenvolver a resistência armada contra o regime militar. O movimento, contudo, perdeu seu suporte financeiro e os guerrilheiros foram praticamente abandonados no alto da serra.
Para não morrer de fome, o grupo começou a roubar e a abater animais – razão pela qual acabou sendo alvo de denúncias à polícia. Por isso, a guerrilha foi desmontada antes mesmo que entrasse em ação. Os guerrilheiros, cerca de vinte homens esgotados e famintos, alguns bastante debilitados pela peste bubônica, foram presos em abril de 1967.
O assassinato de Edson Luís (28/03/1968)
O ano de 1968 foi um divisor de águas no movimento estudantil. Em 28 de março, os estudantes do Rio de Janeiro estavam organizando uma passeata-relâmpago para o final da tarde daquele dia, em protesto contra a alta do preço da refeição no Calabouço, restaurante que oferecia comida barata para estudantes de baixa renda. Por volta das 18h, a polícia militar invadiu o local a tiros. Eles acreditavam que os estudantes iriam atacar a Embaixada dos Estados Unidos localizada nas proximidades.
Durante a invasão ao Calabouço, o comandante da tropa, Aloíso Raposo, atirou e matou o estudante secundarista Edson Luís de Lima Souto, de 18 anos, com um tiro a queima roupa no peito. Outro estudante, Benedito Frazão Dutra, chegou a ser levado ao hospital, mas morreu depois de vários dias em coma. Outras cinco pessoas foram feridas a bala: Telmo Matos Henriques, Antônio Inácio de Paulo, Walmir Gilberto Bittencourt, Olavo de Souza Nascimento e Francisco Dias Pinto.
O estudante Edson Luís de Lima Souto, de 18 anos, morto com um tiro a queima roupa no peito (28/3/1968, RJ). O corpo de Edson Luís foi levado em passeata diretamente para a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, onde foi velado. No período que se estendeu do velório até a missa na Igreja da Candelária, realizada em 2 de abril, foram mobilizados protestos em todo o país.
Em São Paulo, 4.000 estudantes fizeram uma manifestação na Faculdade de Medicina da USP. Houve manifestações também na Faculdade São Francisco, na Escola Politécnica e na Pontifícia Católica de São Paulo (PUC). Durante os protestos surgiu o lema: Neste luto começou a luta! Neste luto começou a luta!
A morte de Edson Luís e de Benedito Frazão Dutra causou o fechamento definitivo do restaurante Calabouço pela ditadura militar e deflagrou o ciclo de manifestações populares de 1968 pela redemocratização do Brasil.
Na manhã do dia 4 de abril foi realizada outra missa em memória de Edson Luís, na igreja da Candelária. Terminada a missa, as pessoas que deixavam a igreja foram cercadas e atacadas com golpes de sabre desferidos pela cavalaria da Polícia militar. Dezenas de pessoas ficaram feridas.
Na noite do mesmo dia, foi realizada uma segunda missa. O governo militar proibiu o evento religioso, mas o vigário-geral do Rio de Janeiro, D. Castro Pinto, insistiu em realizá-la. Compareceram cerca de 600 pessoas. Temendo que se repetisse o massacre da manhã, os padres pediram que ninguém saísse da igreja.
Do lado de fora havia três fileiras de soldados a cavalo com os sabres desembainhados, e também o Corpo de Fuzileiros Navais e vários agentes do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS). Os padres saíram na frente, de mãos dadas, formando um corredor para que todos pudessem sair com segurança da igreja. A cavalaria aguardou que todos saíssem e os encurralaram nas ruas próximas. Novamente o saldo foi de dezenas de pessoas feridas.
Anos depois, em homenagem ao estudante assassinado, foi composta a canção “Menino”, de Milton e Ronaldo Bastos, gravada no álbum Geraes (1976). Ele foi homenageado também na canção “Coração de Estudante”, composta por Wagner Tiso com letra de Milton Nascimento, gravada no álbum Ao Vivo (1983).
A Sexta-feira Sangrenta (21/06/1968)
Em 20 de junho, centenas de estudantes se reuniram no Teatro de Arena da Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e obrigaram o reitor e o Conselho Universitário a debater com eles a situação do ensino superior. Ao saírem de lá, os jovens são violentamente reprimidos com golpes de cassetete e tiros. Mais de 300 foram presos e levados ao campo do Botafogo, onde sofreram espancamentos e humilhações.
Estudantes presos no Campo do Botafogo, Rio de Janeiro (20/6/1968).
Na manhã do dia 21 de junho, sexta-feira, nova passeata em protesto contra a repressão paralisa o centro do Rio. Os estudantes reagem às investidas da polícia, enfrentando a cavalaria com rolhas e bolas de gude, que fazem os cavalos tombar. A população apoiou os jovens e também atacou a polícia com pedras. Do alto dos prédios, objetos foram atirados sobre os soldados. A polícia reagiu com tiros. Bombas de gás lacrimogêneo foram lançadas de helicópteros. Durante a manhã até o início da noite, o conflito se espalhou por uma extensa área do centro.
O saldo da Sexta-Feira Sangrenta é controverso: segundo a versão oficial ocorreram 3 mortes, mas o Centro de Documentação de História Contemporânea (CPDOC), da Fundação Getúlio Vargas, afirma que foram 28. Houve ainda centenas de feridos, mais de mil presos e 15 viaturas incendiadas.
“Sexta-feira Sangrenta” (21/6/1968) quando estudantes enfrentam tropas da política militar no centro do Rio de Janeiro.
“Sexta-feira Sangrenta” (21/6/1968), policiais a cavalo agridem estudantes para dispersar o movimento que se espalhou pelo centro do Rio de Janeiro.
A Passeata dos Cem Mil (26/06/1968) Diante da repercussão negativa dos episódios, o comando militar acabou permitindo uma manifestação estudantil, marcada para o dia 26 de junho – a Passeata dos Cem Mil, no Rio de Janeiro.
Dez mil policiais ficaram a postos para entrar em ação, caso fosse necessário. A passeata ocorreu sem incidentes, apesar do forte aparato policial. Para a passeata acontecer, os estudantes se organizaram de forma discreta, conforme conta Zuenir Ventura: Aquele momento não tinha internet, não tinha globalização. Era tudo na boca. (…) os telefones estavam censurados. Você tinha que ‘marcar ponto’, que é passar distraidamente por alguém e falar algo, trocar informação. Não dava para confiar em telefone. Eu mesmo fui preso uma vez por conta de um telefonema, embora nunca tivesse nenhuma participação ou militância política.
A “Passeata dos Cem Mil” (26/6/1968, RJ), manifestação autorizada pelo governo militar, demonstrou a grande capacidade de mobilização do movimento estudantil.
O movimento reuniu estudantes, jornalistas, padres, freiras, artistas, operários, intelectuais, professores etc. Milhares de pessoas desfilaram pacificamente pelas ruas do Rio de Janeiro demonstrando que a ditadura não tinha o apoio da sociedade. Artistas e jornalistas protestavam contra a censura, operários contra o arrocho dos salários, estudantes contra a reforma estudantil e a repressão policial.
Padres e freiras carregavam faixas com os dizeres “Fazer calar nossos moços é violentar nossas consciências” e repetiam slogans como “A Igreja quer justiça”, “Liberdade para os presos”, “Os alunos têm razão”.
Entre os artistas e intelectuais, participaram da passeata: Gilberto Gil, Caetano Veloso, Edu Lobo, Nana Caymmi, Torquato Neto, Tônia Carrero, Paulo Autran, Antônio Pedro, Nélson Mota, Marieta Severo, Leonardo Vilar, Oscar Niemeyer, Clarice Lispector, Milton Nascimento, Chico Buarque, Norma Bengel, Odete Lara, Ziraldo, Jaguar, Dias Gomes, Vinícius de Moraes, Glauber Rocha, Djanira, Carlos Scliar, Leandro Konder, Oduvaldo Viana Filho, Ferreira Gullar, Millor Fernandes e Antônio Pitanga.
As atrizes Eva Tudor, Tônia Carrero, Eva Wilma, Leila Diniz, Odete Lara e Norma Benguel formaram a linha de frente da “Passeata dos Cem Mil” (26/6/1968, RJ) Ítala Nandi, Chico Buarque de Holanda e Gilberto GIl na “Passeata dos Cem Mil” (26/6/1968, RJ). Edu Lobo, Othon Bastos e Caetano Veloso (ao fundo) na “Passeata dos Cem Mil” (26/6/1968, RJ).
A passeata seguiu em direção à Igreja da Candelária e, depois de seis horas de manifestação, chegou ao Palácio Tiradentes, sem nenhum conflito com a polícia.
Encerrava-se então a passeata, que reuniu cerca de cem mil pessoas, conforme jornais da época, representando um dos mais significativos protestos no período ditatorial do Brasil e demonstrando a grande capacidade de mobilização do movimento estudantil.
O restante do ano, contudo, foi ainda mais tenso. Novas manifestações estudantis e os atos de vandalismo realizados pelo Comando de Caça aos Comunistas (CCC), organização paramilitar de extrema-direita composta por estudantes, policiais e intelectuais favoráveis ao regime militar, levaram ao fechamento do regime.
No final do ano, foi decretado o Ato Institucional nº5 (13/12/1968) que fechou o Congresso Nacional, autorizou o presidente da República a cassar mandatos e a suspender direitos políticos, e suspendeu o habeas corpus. Era o fim de todos resquícios do estado de Direito. A ditadura se completara.
FONTES:
POERNER, Artur José. O poder jovem. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1979.
MENDES JR., Antonio. Movimento estudantil no Brasil. São Paulo: Brasiliense, 1981 (Coleção Tudo é História).
VENTURA, Zuenir. 1968, o ano que não terminou. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1988.
SANFELICE, José Luis. Movimento estudantil: a UNE na resistência ao golpe de 64. Alínea, 2008.
ARAUJO, Maria Paula. Memórias estudantis da fundação da UNE aos nossos dias. Rio de Janeiro: Relume Dumara, 2007.
ALBUQUERQUE, J. A. Guilhon. Movimento estudantil e consciência social na América Latina. Paz e Terra, 1977.
Obrigado por compartilhar. Lembre-se de citar a fonte: https://ensinarhistoria.com.br/movimento-estudantil-da-ditadura-de-vargas-a-ditadura-militar/ – Blog: Ensinar História – Joelza Ester Domingues
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CSA e CRB, as duas maiores forças do futebol alagoano, fazem no próximo sábado (5/2) o primeiro clássico do ano. Azulão e Galo se enfrentam pelo Campeonato Alagoano de 2022, pela primeira vez nesta temporada. O duelo, marcado para 17 horas, terá presença de torcedores, mas com o público limitado, por conta da pandemia do…
Alagoanos morrem soterrados em Franco da Rocha
Família alagoana está entre mortos no deslizamento de barreira em Franco da Rocha, na grande São Paulo Victor, Adriana e o filho do casal, de 1 ano e meio, eram de São Miguel dos Campos (AL) e moravam em São Paulo há cerca de um ano. Parentes de Alagoas acompanhavam buscas na cidade paulista. Deslizamento…
Mestre Laurentino morre aos 93 anos
Patrimônio Vivo de Alagoas, Mestre Laurentino morre aos 93 anos José Laurentino Sirilo, mestre do Guerreiro alagoano. Ascom/Secult Morreu no último domingo (30/01), o Mestre de Guerreiro José Laurentino Sirilo. Ele era considerado ‘Patrimônio Vivo de Alagoas’ desde 2015. O enterro ocorreu na segunda-feira (31) no povoado de Perucaba, no município de Penedo. A morte se…
Prefeito do Pilar deixa o PSC e se filia ao MDB
O prefeito do Pilar, Renato Filho, mudou de partido. Deixou o PSC e é o mais novo filiado do MDB de Alagoas. A ficha de filiação dele foi assinada na noite da última quinta-feira (27/01), em reunião na sede do partido, no bairro Mangabeiras, em Maceió. Durante o encontro que reuniu candidatos a deputados estaduais do…
Sem-terra fazem manifestações em Maceió
Trabalhadores rurais sem-terra – ligados à Frente Nacional de Luta (FNL), Terra Livre, Movimento de Luta Pela Terra (MLT), Liga dos Camponeses Pobres (LCP) e Movimento Terra, Trabalho e Liberdade (MTL) –, iniciam nesta segunda-feira (31/1) uma série de manifestações em Maceió, com o objetivo de defender a reforma agrária e ter acesso a parte…
Centrão busca apoio em cidades pequenas para manter domínio no Congresso
O Centrão, bloco de partidos que dá as cartas na política nacional, tem o controle quase absoluto de boa parte das pequenas cidades do País, uma base capaz de se perpetuar independentemente das eleições presidenciais deste ano. Um levantamento feito nas últimas semanas pelo Estadão revela que o grupo considerado fisiológico tem votos em quase todos os municípios…
AL continua na fase amarela e Renan Filho vai anunciar retomada de eventos de entretenimento
O governador Renan Filho (MDB) deve anunciar nesta quinta-feira (23), a retomada gradual dos eventos de entretenimento. O novo decreto de distanciamento social controlado para o estado de Alagoas foi publicado ontem (23), na edição Suplementar do Diário Oficial do Estado e vai até o dia 30 de setembro. O decreto foi prorrogado por mais…
NA FASE AMARELA POR MAIS 7 DIAS, ALAGOAS LIBERA PÚBLICO DURANTE OS JOGOS OFICIAIS DA SÉRIE B
Secom Alagoas Alagoas seguirá por mais sete dias na Fase Amarela do Plano de Distanciamento Social Controlado, segundo decreto publicado no Diário Oficial do Estado na última quarta-feira (22). O documento que liberou, com público de até 30%, a realização de jogos oficiais do Campeonato Brasileiro de Futebol – Série B entrou em vigor na…
Renan Filho assina ordens de serviço durante aniversário de 59 anos de Olho d`Água do Casado
O governador de Alagoas, Renan Filho (MDB), esteve em Olho d`Água do Casado, no Sertão, para participar da festa de emancipação política da cidade, que completa nesta quarta-feira (22) 59 anos. Durante as festividades, o gestor estadual recebeu o título de cidadão casadense, concedido pela Câmara Legislativa Municipal. Renan Filho aproveitou a ocasião para anunciar…
Alagoas sai na frente no combate ao AVC
Com o programa “AVC dá Sinais”, quatro hospitais já estão aptos para o atendimento e a meta do Governo é chegar a dez unidades especializadas até novembro; utilização de aplicativo com tecnologia japonesa agiliza conduta médica Identificar e tratar adequadamente os casos de Acidente Vascular Cerebral (AVC) são os objetivos do programa lançado nesta segunda-feira…
Biblioteca Pública Estadual comemora aniversário 152 anos
Palestras, oficinas e exposições marcam comemorações, nos dias 4, 5 e 7 de julho, no Centro de Maceió
Paulo Dantas destaca investimentos de mais de R$ 30 milhões em Maribondo
Governador utilizou as redes sociais para reafirmar seu compromisso com desenvolvimento dos 102 municípios alagoanos Paulo Dantas durante inauguração do acesso ao povoado Mata Verde do Programa Alagoas de Ponta a Ponta Desde quando assumiu Alagoas, o governador Paulo Dantas sempre enfatizou que seu trabalho será em prol dos alagoanos. Seja na capital ou…
Programa de DST/Aids mobiliza população
Prefeitura de Maceió reforça Campanha de Prevenção no Carnaval 2011
















