Cepram recebe denúncias contra extração ilegal de areia e sobre a ameaça à Serra do Parafuso

03 / 06 / 26

A denúncia contra a extração ilegal de areia foi encaminhada ao jornal Tribuna Independente. A outra denúncia foi feita pelo Instituto SOS Caatinga, preocupado com a instalação de um parque eólico em Mata Grande, na Serra do Parafuso.

Autor: Ricardo Rodrigues

Cepram tem denúncias sobre extração ilegal de areia na Serra  do Parafuso
Câmeras do SOS Caatinga flagraram macacos-prego-galegos, animais em risco de extinção – Foto: Reprodução
O Conselho Estadual de Proteção Ambiental (Cepram) recebeu ontem (2/6), durante reunião realizada no Palácio República dos Palmares, duas denúncias de crimes ambientais: a primeira, envolvendo a extração irregular de areia em vários municípios alagoanos; e a segunda, envolvendo a ameaça de desmatamento nos arredores da Serra do Parafuso, localizada em Mata Grande, no Sertão de Alagoas.

As denúncias foram protocoladas pela jornalista Joseane Calado, represente do Sindicato dos Jornalistas de Alagoas (Sindjornal) no colegiado. Segundo ela, a denúncia contra a extração ilegal de areia foi encaminhada pela reportagem do jornal Tribuna Independente. A outra denúncia foi feita pelo Instituto SOS Caatinga, preocupado com a instalação de um parque eólico em Mata Grande, que ameaça a fauna e a flora da Serra do Parafuso.

“A situação é preocupante, pois a empresa está avançando aos poucos colocando os medidores de vento para depois colocar as usinas eólicas, pois a licença prévia já foi dada pelo IMA! É um absurdo o IMA não pedir uma contraprova de uma instituição neutra. Esperamos que o MPF e o Ibama abracem nossa causa para poder salvar esses animais criticamente ameaçados, e que possamos tornar a Serra do Parafuso um parque ambiental e não eólico”, relatou o presidente do Instituto SOS Caatinga, Marcos Bezerra.

REUNIÃO

A reunião do Cepram ocorreu na manhã de ontem com a presença de representantes de diversas instituições públicas e da sociedade civil organizada. A presidência da reunião foi do jornalista Tiago Di Lucas, assessor de comunicação da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos. Segundo ele, as denúncias serão avaliadas e relatadas pelos conselheiros sorteados.

Durante a sessão, a conselheira Rosa Tenório, representante do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Alagoas (Crea/AL), pediu mais tempo para analisar um processo sobre uma denúncia atribuída à Braskem por conta do colapso da Mina 18, ocorrido em dezembro de 2023. Ela disse que pediu informações acerca do incidente, mas como o Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA) não teria respondido seus questionamentos, ela pediu para apresentar o seu relatório na próxima reunião.

O outro processo contra a Braskem também saiu de pauta, por um pedido de vistas feito pelo representante da Universidade Federal de Alagoas (Ufal). Esse também diz respeito a um auto de infração contra a Braskem. A mineradora é acusada de “apresentar, elaborar ou prestar informação, estudo, laudo ou relatório de desempenho Ambiental (RADA) total ou parcialmente falso, enganoso ou omisso, demonstrando atestar a integridade das atividades de mineração de sal-gema e não ocorrência de anomalias, patologias e subsidência do solo na região dos bairros do Pinheiro, Mutange e Bebedouro, seja no procedimento de Licenciamento ou durante o Monitoramento Ambiental”.

Esse segundo processo contra a Braskem, de Nº 2019.0905758977.AINF.IMA, tem como relator o tenente-coronel do Corpo de Bombeiros Moisés Pereira de Melo (do Cedec/AL), mas o representante da Ufal (Fábio) pediu vistas. Ele estava substituindo o reitor Josealdo Tonholo, que representa a Universidade no colegiado.

Outros processos também foram debatidos durante a reunião, dois envolvendo multas atribuídas a postos de combustíveis e um sobre ações da Prefeitura de Palmeira dos Índios que comprometem o meio ambiente no município.

A conselheira Joseane Calado reclamou dos intervalos de tempo entre uma reunião e outra. Segundo ela, a última reunião do Cepram foi em dezembro do ano passado.

“Uma reunião a cada seis meses é tempo demorado demais para tantos assuntos importantes”, disse ela. O presidente da reunião acatou a sugestão e ficou de convocar a próxima reunião para os próximos 60 ou 90 dias, dependendo da pauta a ser definida.

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Por Ricardo Rodrigues / Tribuna Independente 02/06/2026 
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Documento do Instituto denuncia ameaça de desmatamento da região, repleta de animais raros e espécies ameaçadas de extinção – Foto: Instituto SOS Caatinga
Um relatório técnico do Instituto SOS Caatinga, denunciando a ameaça de desmatamento da Serra do Parafuso, localizada em Mata Grande, será entregue ao Conselho Estadual de Proteção Ambiental (Cepram), que se reúne hoje, a partir das 9 horas, no auditório do Palácio República dos Palmares, no Centro de Maceió.

O documento, denunciando o derrubada de vegetação para a implantação de uma usina de energia eólica na região, será protocolado pela jornalista Joseane Calado, que é integrante do Cepram, representando o Sindicato dos Jornalistas de Alagoas (Sindjornal). Segundo ela, o documento de 14 páginas foi produzido pelo Instituto SOS Caatinga e tem como título “Relatório Técnico Crítico Preliminar de Expedição”.

Com sede no município de São José da Tapera, no Sertão alagoano, o Instituto SOS Caatinga, fundado em 27 de fevereiro de 2004, trabalha na defesa da natureza, desenvolvendo pesquisas sobre a fauna e a flora do bioma. Esse relatório que será entregue ao Cepram é fruto de suas últimas expedições à Serra do Parafuso.

De acordo com o documento, a área apresenta rica avifauna e desempenha serviços ecológicos importantes no combate as mudanças de clima na região. “No entanto, a potencial instalação de um parque eólico na localidade pode impactar negativamente a biodiversidade local e seus serviços ecossistêmicos”, alerta o relatório.

“A expedição piloto resultou em mais de 320 registros de fauna na Serra do Parafuso, incluindo o registro da espécie de macaco-prego mais ameaçada do país e que é alvo de políticas públicas em nível nacional e estadual, o macaco-prego-galego, Sapajus flavius”, acrescenta o documento.

MINISTÉRIO PÚBLICO

No relatório, consta que, com base nos registros preliminares obtidos de fauna, o Instituto solicitou ao Ministério Público do Estado de Alagoas, por meio da 5ª Promotoria da Capital – Núcleo do Meio Ambiente, que tomasse as medidas cabíveis de fiscalização, proteção e conservação da Serra do Parafuso.
Solicitou ainda ao MP/AL a realização de estudos sobre o bioma, sobre seu potencial como reduto de espécies ameaçadas de extinção, antes de autorizar qualquer empreendimento no local.

Os integrantes do Instituto temem pela flora exuberante da caatinga, a vida dos animais, espécies raras, ameaçadas de extinção e os impactos ambientais que esse Parque Eólico pode causar.

No relatório, constam fotos de grupos de macaco-prego-galego (Sapajus Favius) e seus apetrechos de pedras usados para se alimentar de frutas e sementes, encontrados nos arredores da serra. As fotos sãos de George Agamenon da Silva. Nelas, há registro de sítios de quebra de frutos usados por macacos dessa espécie em uma das bases de ancoragem da torre eólica localizada na Serra do Parafuso.

Em outros sítios foram feitos registros de Tatu-peba (Euphractus sexcinctus), do Gato-mourisco (Herpailurus yagouaroundi), de Jaguatirica (Leopardus pardalis), de Guaxinim (Procyon cancrivorus), do Urubu-rei (Sarcoramphus papa) e de um bando de Jacus (Penelope jacucaca), encontrados a cerca de 500 metros da torre de monitoramento.

O relatório, assinado pelo diretor presidente do Instituto SOS Caatinga, Marcos Antônio Bezerra Araújo, apela aos integrantes do Cepram para que impeçam a instalação desse Parque Eólico, para evitar que esse empreendimento gigantesco destrua o meio ambiente e ameaça a fauna e a flora da Serra do Parafuso.

“A preservação da área da Serra do Parafuso em Alagoas deve ser considerada prioridade estadual no plano de desenvolvimento local, para assim garantir a manutenção dos serviços ecológicos prestados pela região no combate aos efeitos negativos das mudanças climáticas”, alerta o relatório do Instituto SOS Caatinga.

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